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Política

Delegado Waldir bate-boca com professor e chama alunos de "maconheiros"

Postado em: 22-05-2019 às 20h00
O desentendimento envolvendo o parlamentar goiano, professores e estudantes aconteceu durante reunião da Comissão de Educação, na Câmara dos Deputados

Foto: Divulgação

Da Redação

O deputado federal Delegado Waldir, líder do PSL na Câmara dos Deputados, foi protagonista de um grande tumulto e bate-boca com estudantes e professores nesta quarta-feira (22), durante reunião da Comissão de Educação. Na ocasião, o ministro da Educação, Abraham Weimtrub, discursava a respeito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) quando os representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) tentaram se manifestar. Nesse instante, iniciou-se uma confusão entre os parlamentares e representantes estudantis e a sessão foi encerrada.

Em vídeo gravado no momento da discussão, é possível ver o deputado goiano visivelmente alterado. Aos gritos, ele chama os estudantes presentes de “maconheiros” e manda “ir trabalhar” o professor que filmava todo o ocorrido.

Na sequência o presidente da Associação dos Docentes da UFG (Adufg), Flávio Alves da Silva,  disse próximo ao delegado: "Vou mostrar lá em Goiás como o sr. trata os estudantes", no que ele respondeu: "Vai lá, petista". Flávio retrucou: "Petista o cacete. Não sou petista não." E deputado continuou: "Aluno é maconheiro. Aqui ó (e fez sinal de prisão com os dedos)", é cadeia". Flávio então retrucou: "Sou professor de universidade, o sr. respeita." Nesse momento o deputado pegou suas coisas sobre a mesa e, antes de sair da sala da comissão, afirmou: "Professor de universidade... Vai trabalhar, cara, vai trabalhar.”

Após o tumulto, Delegado Waldir tentou explicar sua conduta, alegando que a audiência pública acontecia desde a manhã e todos, incluindo o ministro da Educação, Abraham Weintraub, estavam cansados e não tinham almoçado, e, portanto, não seria correto os representantes das entidades estudantis terem a palavra, uma vez que alguns deputados também não tinham se manifestado.

“Tinha mais 50 deputados para falar e, a quatro minutos de encerrar a audiência, a presidente da mesa, que é do PCdoB, disse que daria a palavra para o pessoal da UNE”, contou.

O deputado disse ainda que as universidades federais são “zonas de livre consumo de drogas”.

“Olha o que aconteceu ontem. As drogas que a Rotam apreendeu lá naquela casa da UFG. E nas universidades federais a PM não pode entrar. Aí vira festa, elas viram zonas de livre consumo de drogas. As universidades, mas os institutos federais, não! Os institutos são espetaculares”, disse.

O professor Flávio Alves, da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás, que gravou toda a confusão, alega que a fala dos representantes da UNE e UBES já estava programada, mas os estudantes foram impedidos de falar por deputados da base do governo.

“No início da audiência, foi combinado que os estudantes teriam direito à fala pouco antes do encerramento. O deputado Delegado Waldir chegou posteriormente, por isso não viu”, explicou o professor.

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