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Política
Uniões
10/03/2018 | 06h00
Esquerda se divide em Goiás
Aproximação das siglas do campo de esquerda para defender o governo de Dilma Rousseff não deve refletir em alianças para as eleições de outubro no Estado

Lucas de Godoi


A aproximação da frente de esquerda no final de 2015, para defender a permanência do governo de Dilma Rousseff, deu sinal de que poderia haver uma união nas eleições estaduais deste ano. Mas o que parecia um encontro de ideais resumiu-se unicamente ao cenário nacional, em um embate pontual. Os pleitos estaduais possuem regras e alianças próprias, o que dificulta a união, definem os partidos. 

Com o sentimento ferido, o PT em Goiás segue sem formalizar qualquer coligação com as demais siglas de esquerda para a eleição deste ano, com deliberação para lançar candidato próprio ao governo do Estado, ainda sem nome definido. “Quanto ao surpreender, o partido pode apresentar nomes novos para liderar a disputa em Goiás”, explica a presidente do diretório estadual, Katia Maria, dando sinais de que o partido optaria por apresentar uma nova liderança ao pleito. A decisão atende a uma orientação da direção nacional do partido, que é de propor alianças com partidos que declarassem apoio ao candidato presidencial. “Nós priorizamos quem declare apoio ao presidente Lula”, enfatiza Katia. 

Uma das possibilidades do PT era costurar uma aliança com o PSOL, mas nesse momento parece distante. Isso porque o partido socialista sinalizou o lançamento de pré-candidatura própria, inclusive para a Presidência. “Teremos candidato próprio a presidente e se faz necessário palanque para nosso nome no estado. Além disso, historicamente o projeto programático do PT no estado se distancia muito do nosso projeto. Podemos citar a administração do finado Paulo Garcia, que esteve alinhado em muitos momentos com MDB e manteve a estrutura administrava que privilegiou o mercado imobiliário e as grandes empresas”, esclarece o presidente do diretório em Goiânia, Flávio Marcos, sobre os impedimentos para efetivar uma coligação no Estado. 

O PDT de Ciro Gomes ainda não deliberou sobre as alianças em Goiás. O entrave é justamente conseguir estrutura para apoiar sua candidatura presidencial, já que as siglas esquerdistas manterão os palcos exclusivamente para os próprios proponentes. “Estamos buscando alianças que dê condições, primeiramente, de receber nosso candidato e, em segundo plano, de eleger nossos deputados federais”, contou à reportagem o vereador pedetista Paulinho Graus, enquanto participava da reunião da executiva nacional, em Brasília, na última quinta-feira, para deliberar essa e outras pautas. 

Enquanto não se chega a um consenso, os partidos seguem cada um definindo seus planos. O PSOL realizará assembleia para a confirmação do pré-candidato ao governo. “A definição vai acontecer no dia 22 de abril, em reunião do diretório estadual da cidade de Valparaiso.  “A nossa intenção é formar a Frente de Esquerda com PCB, PSTU e outras organizações que não tem o registro partidário como a Unidade Popular e Polo Comunista Luís Carlos Preste, além de movimentos sociais, entidades de classe e pessoas que desejam construir um estado igualitário”, explicou o dirigente sobre os planos internos do partido. 

Algumas siglas consideradas do campo de esquerda tendem a apoiar a indicação tucana. É o caso do PSB da senadora Lúcia Vânia, que tem afinado as negociações com o vice-governador Zé Eliton, do PSDB. “Quando você pertence a um grupo e, nesse grupo, mantém a sua independência, mantém os seus pontos de vista, mantém a sua coerência, você é capaz de permanecer”, pontuou Lúcia Vânia sobre os motivos em compor com o projeto da base. “Acredito que o José Eliton está trabalhando intensamente para formar uma aliança que lhe dê condições, em primeiro lugar, de governar bem”, frisou em entrevista ao O Hoje na semana passada. 

“Claro que aqui em Goiás tem as particularidades, nós temos partido de esquerda que está no governo do PSDB, mas no que depender de nós, vamos buscar fortalecer esse diálogo e buscar uma unidade já no primeiro turno”, destacou Katia sobre a possibilidade de as parcerias só se concretizarem para o segundo turno eleitoral.  


Palanque é essencial para aliança 

O que dificulta os acertos é justamente conciliar os anseios estaduais com os nacionais. Todos querem palanques forte nos estados para a apresentação dos projetos à Presidência. “É legítimo que cada partido tenha  seus candidatos a presidente, mas que no momento certo possam sentar e decidir qual é a melhor tática eleitoral a nível nacional”,  diz Kátia Maria, presidente do PT.  “O que buscamos é palanque para o Ciro, esse é nosso objetivo número um”, contou o vereador Paulinho Graus sobre as conversas  no PDT.

Para o cientista político Wilson da Cunha, as impossibilidades de alianças se justificam por diversos motivos, como a ausência de plano de governo sólido e até por preconceito político. “Há um descrédito dos partidos no Brasil por não terem identidade própria”, explica. “Também tem a falta de ideias novas, principalmente econômicas. Goiás é um estado de agronegócio, com uma sociedade de comércio capitalista. Como você vai fazer uma campanha contra burguês nesse cenário, com essa agenda política?”, questiona Wilson sobre as críticas da esquerda ao capitalismo.  


Entrevista : Jovair Arantes 

“Sectarismo de esquerda e direita é negativo” 

Líder do PTB na Câmara, o deputado federal Jovair Arantes é um exemplo de aliado fiel às candidaturas mais à direita em Goiás. Ele mantém o apoio incondicional à base aliada do governo de Goiás, medida que a esquerda goiana ainda não conseguiu estruturar. Por isso, o deputado se orgulha de ter ajudado a eleger e governar Goiás nos últimos anos, contou em entrevista exclusiva ao O Hoje. 


O diálogo com a base tem sido positivo? Existe algo acertado para o PTB apoiar a candidatura do vice-governador Zé Eliton?

Nós estamos conversando. O PTB é um partido da base de governo de Marconi e nós ajudamos a eleger o governo, ajudamos a governar esses anos todos. Houve um avanço muito grande no Estado de Goiás com relação às gestões feitas até agora no comando do governador Marconi e acreditamos que o Zé Eliton pode também dar essa sequência importante pra Goiás continuar crescendo. Nós estamos em discussão, e temos até o mês de junho para discutir isso e vamos discutir com tranquilidade. 


Qual a importância de uma frente unida nas eleições deste ano?

Meu partido é de centro. A gente discute sempre a questão do avanço e da política da boa relação e da construção no sentido de levar mais e mais obras para os municípios sem esse sectarismo de esquerda e direita, de tal sorte que eu vejo essa questão de direita e esquerda ainda na política como sendo negativa. Claro que a gente respeita e entende que a esquerda sempre teve um papel importante, a direita sempre teve um papel importante, mas para o conjunto, para a sociedade, o que é bom é a união de todas as correntes.


Como percebe o movimento de alguns partidos de esquerda em lançar candidatura sem coligação? 

O direito de qualquer partido é de lançar candidatura. Não discuto os outros partidos, nós temos que discutir o nosso partido. Eu entendo que o que eles devem fazer é uma decisão única deles. 


Uma eventual aliança com o PT está descartada? 

Com o PT está descartada, porque não temos proximidade política. O principal colégio eleitoral do PTB é Anápolis e nós derrotamos lá o PT e por essa razão nós não temos nenhuma proximidade com o Partido dos Trabalhadores nesse momento. Isso não significa que somos adversários perpétuos, que sejam nossos inimigos. A gente tem um respeito muito grande por todas as lideranças do PT em Goiás, mas nessas eleições, acredito que não temos condição de confluir juntos, não sei. Política a gente tem que ir discutindo. 

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