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Política
Daniel Vilela
06/02/2018 | 06h00
“A maioria do MDB defende minha candidatura ao governo”
Ele lamenta o fato de picuinhas se sobressaírem ao debate político-eleitoral, mas sustenta que a maioria dos prefeitos já manifestou apoio à sua pré-candidatura ao governo de Goiás

Rubens Salomão e Venceslau Pimentel


Deputado federal e presidente do diretório estadual do MDB, Daniel Vilela classifica como minoria, dentro do partido, os que consideram natural a possibilidade da sigla não encabeçar a chapa majoritária, abrindo vaga para o senador e presidente do Democratas, Ronaldo Caiado. Ele lamenta o fato de picuinhas se sobressaírem ao debate político-eleitoral, mas sustenta que a maioria dos prefeitos já manifestou apoio à sua pré-candidatura ao governo de Goiás.  “O partido não vai se submeter à vontade de um, dois, três prefeitos. Estes devem entender isso também”, disse em entrevista ao O Hoje, sem citar nomes. Vilela defende uma aliança com o Democratas, mas considera legítima essa postulação. No entanto, diz ter um posicionamento de não interferir e nem dar pitaco em quintal alheio. “Se eles têm interesse em fomentar a divisão aqui e ali, dentro do MDB, eu não faço o mesmo com o Democratas”, pontuou. Na entrevista, o emedebista fala sobre conversações para formatação de aliança com o PP e o PSD, defende um novo projeto político para Goiás, que não seja baseado na vingança, na busca do poder pelo poder para alimentar vaidades. Por fim, o parlamentar aponta os erros cometidos pelo seu partido ao longo das últimas campanhas e admite que, hoje, não tem o apoio do prefeito Iris Rezende, mas que tê-lo se for referendado pela convenção partidária. 


Qual a avaliação que o senhor faz da sua pré-candidatura ao governo de Goiás?

Vejo o nosso partido com uma boa perspectiva. Sou otimista. Acho que nós nunca tivermos num momento tão positivo como o que estamos vivendo agora, com um planejamento interno muito adequado, que teve início em 2017, com os encontros estaduais por todo o estado, ouvindo nossa base, a nossa militância e os nossos líderes locais. O MDB nunca tinha feito isso antes, pelo menos nas últimas cinco eleições estaduais, iniciar um trabalho um ano antes, dando oportunidade para a nossa militância falar, porque, antes, eram os nossos líderes falando e a militância participando, mas sem dar a sua reflexão, o seu pensamento. E nós fizemos isso no ano passado. Iniciamos agora, neste semestre, um trabalho de diálogo com os mais variados setores da sociedade civil organizada, por todo o estado. Nosso objetivo é irmos nos 246 municípios neste semestre, conversando com sindicatos rurais, com associações comerciais, com Câmaras, dirigentes lojistas, com associações de bairros, com servidores públicos. Tudo para que a gente possa extrair os sentimentos da população, as suas dificuldades, os seus anseios com o futuro do estado e construir um projeto para Goiás, que seja colaborativo. Que isso esteja refletido nesse projeto, de uma forma moderna, contemporânea. Nós estamos bastante otimistas.


O partido tem uma das maiores estruturas no estado.

Nós temos uma estrutura partidária que é invejável, que tem capilaridade por todo o estado. Acho que faltava isso. A integração da força política com um projeto bem contemporâneo e que represente esse momento que a gente vive, com alternativas e soluções para enfrentar a crise. O MDB precisa apresentar agora algo propositivo com conteúdo e de forma colaborativa, que seja construído por toda a população. O partido tem em torno de 130 a 140 diretórios constituídos e mais umas 50 comissões provisórias. Nenhum partido, em Goiás, tem uma democracia interna como esta.

Nas eleições de 2010 e 2014 a escolha do pré-candidato do MDB não passou do mês de abril. E neste pleito?

Em 2010 houve a desincompatibilização de Iris Rezende (então prefeito de Goiânia), em 2014, postergou-se um pouco mais essa decisão, que foi também o Iris. Essa definição acontece no momento da convenção. Não existe outro momento para ter a formalização de candidaturas. A convenção é um instrumento que serve justamente para isso, para que seja votada e escolhida a tese vencedora. A não ser que surja mais de uma pré-candidatura majoritária, e aí se faça necessário antecipar essa questão interna na busca da construção de um projeto. Hoje isso não tem sido ventilado dentro do partido. Meu nome tem sido colocado e referendado nos encontros regionais. Mas é lógico que se amanhã surgir alguém interessado em postular, o partido vai se manifestar.


A antecipação do nome não poderia evitar o racha no partido?

Acho que você tem vantagens e desvantagens nas duas formas. Se antecipando, você acaba também antecipando o processo de debate eleitoral, partidário e político. Às vezes postergando, você inibe esse debate. Na verdade, percebo que 95% da população hoje está distante do debate político. Ela está descrente, a classe política não tem crédito suficiente.  Estão todos lutando para sobreviver: os empresários para empreender, a população de uma forma geral para sobreviver. Não cabe a nós, da classe política, ficar nesse momento, trazendo para o debate picuinhas políticas, partidárias, de projetos individuais, pessoais, de alimentar vaidades de um ou de outro líder. Acho que cabe a nós fazer o que estamos querendo fazer, que é dialogar com as entidades, com o setor produtivo, com a população de uma forma geral para construir esse projeto.  Acho que o debate de nomes é prejudicial ao estado. Não é isso o que as pessoas estão esperando. Estão desejosos de um projeto diferente e novo.


Como o senhor lida com a posição de uma parte do MDB, que tem uma análise semelhante ao do senhor, de que ainda não é o momento de se falar em nome, mas que considera que o partido pode abdicar da cabeça de chapa, em nome de uma aliança, por exemplo, com Ronaldo Caiado, por exemplo?

Acho isso legitimo. Não existe um partido tão grande, como o MDB, que tem a capilaridade que tem, que tem divergências de pensamento como tem, você querer ser unanimidade. Isso não vai acontecer. Todas as outras eleições, aqui em Goiás, no nosso partido, tiveram esses debates. Porém, no momento eleitoral, se juntou e seguiu junto.  O momento para isso é na convenção. Se alguém defende aliança com outro partido, que leve para a convenção. Se for a vontade da maioria do partido, vamos nos aliar e seguir a maioria. Como presidente do partido, não posso falar do meu desejo pessoal. Eu preciso refletir sobre o que a maioria do partido defende. Ou que estou falado aqui, e tenho falado, é em defesa de candidatura própria do partido. Por quê? Porque fizemos quase 20 encontros no ano passado e não teve um diretório que defendesse o contrário.  Todos os que participaram dos encontros se manifestaram em defesa de candidatura própria. Pode ter um que não participou e pensa diferente. Sou eu como presidente que vou falar diferente do que a base do partido diz? Não.


No caso de Formosa, o prefeito Ernesto Roller é um dos que tem defendido a hipótese de apoio a Ronaldo Caiado. Qual a situação do partido naquela cidade?

O prefeito Ernesto Roller foi eleito pelo MDB, que tinha uma comissão provisória. Sabe por quê? Porque ele diz que se fosse diretório ele não seria escolhido para ser o candidato do partido, porque ele não tem o apoio do partido. Ele não teve o apoio do MDB. Ele teve o apoio do diretório estadual.  Nós entendíamos que ele era um nome importante para disputar e fazer um bom mandato. Achávamos que ele era uma pessoa competente para isso. Agora, o que acontece lá hoje? O MDB continua não aceitando ele. 


Acredita que seja uma minoria no MDB os que defendem a possibilidade de o partido não encabeçar a chama majoritária, portanto, se aliando a outro partido?

Eu falei que as picuinhas acabam se sobressaindo nesse debate político. Não deveria, mas acabam se sobressaindo. Têm 35, 36, 37 prefeitos que manifestaram apoio à nossa pré-candidatura e em defesa de candidatura própria. O partido não vai se submeter à vontade de um, dois, três prefeitos. Estes devem entender isso também.  É natural, é legitimo e a gente deve respeitar a posição de cada um, mas nós temos 35, 36 que pensam diferente deles.


No encontro que o senhor teve com Ronaldo Caiado, em dezembro, ele fez uma declaração emblemática, dizendo que a dupla seria para ganhar a eleição. Pode ser selada ainda uma aliança do MDB com o DEM?

Sempre disse que a nossa intenção vai muito além de manter a aliança de 2014. Naquele ano ela não foi suficiente para a gente ganhar a eleição para governador, que era o nosso objetivo principal. Além de manter essa aliança, nós precisamos ampliá-la, que seja pujante e suficiente pra gente ganhar as eleições. Eu defendo essa aliança. É legítimo que o Democratas lance o seu candidato, que postule a cabeça de chapa? Tenho um posicionamento que não vou interferir e nem dar pitaco em quintal alheio. Se eles têm interesse em fomentar a divisão aqui e ali, dentro do MDB, eu não faço o mesmo com o Democratas. Sei o meu lugar, do meu partido, onde eu posso dialogar e defender as minhas teses. Lá na frente, se a gente puder estar juntos, vai ser o melhor dos mundos. Queremos o apoio do Democratas para essa eleição, mas o MDB definiu, e não fui eu quem definiu. Foram os encontros regionais que definiram pela candidatura própria. Acho que nesse caso é preciso ter esse entendimento. 


O que seria melhor, estrategicamente, para a oposição no seu entendimento? Caminhar junta no primeiro turno ou se aliar num eventual segundo turno?

O contexto da eleição é que vai nos mostrar qual será a melhor alternativa. Só que temos de definir antes da eleição. Vamos dialogando, conversando, construindo alianças, e no momento mais próximo das eleições venha uma decisão tomada pelo Democrata, de apoio o MDB ou não. Acho e acredito muito que a oposição sairá vitoriosa nessa eleição. Acho que há um sentimento de renovação em Goiás, independente se vai ter um ou dois candidatos (da oposição). Às vezes é melhor para os goianos que tenha duas alternativas. Não vejo algo conclusivo em relação a ter uma única candidatura.

Em 36 anos de eleições para governador, ou seja, desde 1982, o MDB teve apenas três candidatos - Iris Rezende, Henrique Santillo e Maguito Vilela, e perdeu as últimas cinco eleições. Qual seria a estratégia para mudar esse quadro desfavorável à legenda?

É preciso reconhecer, também, que é competência dos nossos adversários, do atual grupo político que completa 20 anos (no poder). Conseguiu construir alianças fortes, candidaturas fortes, usaram muito a máquina do estado nas últimas eleições. São opoentes que fazem a diferença numa eleição. Mas acho que nós, também, cometemos os nossos erros. É natural. E a gente tem procurado reconhecer esses erros, olhar para trás para a gente não errar no futuro. A construção de um projeto é algo importante, porque eu vejo que os goianos e os brasileiros estão ávidos por um projeto novo, diferente, propositivo. Não podemos ficar com essa política de ser candidato apenas para atacar o outro. Eu defendo a política de agregação e não de desagregação. Segregação é da época da escravatura, do apartheid. A população não quer mais isso. 


Um dos erros do MDB não é, também, a divisão interna?

Não foram picuinhas, mas sim erros no processo eleitoral, falta de estratégia na construção de alianças, demorar a entender essa mudança de pluralidade de partidos que aconteceu no Brasil, de entender que ninguém ganha mais eleição sem aliança. Acho que esses componentes nos levaram à derrota. Nós achamos, nas últimas cinco eleições, que quem estava na frente, nas pesquisas, era o melhor candidato e ganhava a eleição. E perdemos as cinco. É essa estratégia que se mostrou errada, se mostrou equivocada. Não estou dizendo que esse foi o fator que nos levou à derrota. Foi uma série de fatores.


A definição de Iris Rezende, sobre candidaturas, sempre foi marcante no partido. Até agora ele não foi incisivo em relação a este pleito.

Iris, no ano passado, teve muito envolvido com as questões administrativas, mas participou do nosso último encontro. Ele foi muito claro, de que tem relação de vida com o MDB, uma história com o partido e que a decisão do MDB, seja qual for, vai ser a decisão dele. Como nós tivemos, no ano passado, uma decisão majoritária, de candidatura própria, ele deixou claro que vai apoiar o candidato do MDB. 


A proximidade que Iris tem hoje com o senador Ronaldo Caiado não o estaria levando a esse impasse?

Mas todos nós temos. Ele se tornou nosso aliado a partir da eleição passada. Nós temos uma boa relação com ele. Acho que ele se sente também, de alguma forma, comprometido a ajudar o partido, a administração do prefeito Iris. Essa boa relação nós temos.


Como o senhor avalia a possibilidade de uma aliança com o PSD e o PP?

Eu tenho muita facilidade de dizer isso, até porque os próprios presidentes do PP e do PSD têm dito que nós temos conversado, especialmente com Vilmar Rocha, no sentido de construirmos um projeto novo para Goiás. Nós temos conversado também com o senador Wilder Morais. Mas tem outros partidos também, que por uma questão de estratégia, não convêm revelar. Mas é da base do governo. Queremos ampliar a nossa aliança, com pessoas que querem participar de um projeto novo, de um momento político novo para Goiás. Não um projeto de vingança, de poder para alimentar vaidade nossa.  

Tópicos:  MDB,   Daiel Vilela,   Eleições

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