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Mundo
Consumo
14/02/2018 | 10h50
Carne de cachorro é mantida em restaurantes nas Olimpíadas da Coreia do Sul
Quase todos os estabelecimentos decidiram manter a tradição, apesar dos pedidos das autoridades para que a iguaria fosse tirada do cardápio durante os Jogos Olímpicos de Inverno

Um responsável do governo local do condado de PyeongChang, na Coreia do Sul, onde começaram nesta sexta-feira (9) os Jogos Olímpicos de Inverno, admitiu que carne de cachorro continua sendo servida nos restaurantes da região. Apesar dos pedidos das autoridades para que a iguaria fosse tirada do cardápio durante o evento, quase todos os estabelecimentos decidiram manter a tradição.

Ativistas intensificaram as campanhas para proibir o consumo de carne de cachorro, com petições online e protestos na capital Seul, solicitando o boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno. Diante das tensões, as autoridades locais pediram aos 12 restaurantes que servem esse tipo de alimento que parassem de vender esta comida durante a competição, em troca de subsídios.

No entanto, apenas dois estabelecimentos cumpriram com a solicitação, informou o oficial do governo de PyeongChang, Lee Yong-Bae. “Recebemos muitas queixas dos donos de restaurantes dizendo que a medida afetaria o faturamento. Alguns até substituíram cachorro por porco, mas dizem que as vendas caíram. Por isso retomaram os cães”, explicou.

Os anúncios que mostram pratos feitos com carne de cachorro, como o boshintang (“sopa que melhora a saúde”, em tradução livre), o yeongyangtang (“sopa de nutrientes”), ou sacheoltang (“sopa do ano inteiro”), foram substituídos por outros mais neutros, como o yeomsotang (sopa de cabra), para evitar “uma impressão ruim dos estrangeiros” durante os Jogos, continuou Lee Yong-Bae.

Oficialmente, a carne de cachorro, como a de cobra, é classificada como “detestável” por Seul, mas essa designação não tem consequências legais que obriguem o banimento dos cardápios.

Consumo

As autoridades do país periodicamente tentam persuadir os restaurantes a mudarem seus cardápios, ou retirarem propagandas sugestivas de carne de cachorro, principalmente durante grandes eventos internacionais ocorridos no país. Além disso, a tradição de comer a iguaria vem declinando à medida que a nação abraça cada vez mais a ideia dos cachorros como animais de estimação, fazendo com que, entre os jovens sul-coreanos, comê-los se torne um tabu.

Mesmo assim, estima-se que os sul-coreanos consumam cerca de um milhão de cachorros por ano como uma iguaria de verão. Sua gordurosa carne vermelha é considerada uma rica fonte de energia.

 Fonte: RFI. (Foto: Reprodução/Getty Images)

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