Economia

“Queijo Cabacinha” ganha força como patrimônio cultural de Goiás

Postado em: 22-01-2021 às 10h45
Iguaria recebeu certificação como proteção aos produtores rurais que detêm técnica única de produção | Foto: Divulgação

Nielton Soares

O governador Ronaldo Caiado (DEM) sancionou a Lei nº 20.963, que certificou o “queijo cabacinha” como Patrimônio Cultural do Estado de Goiás. A iguaria é produzida tradicionalmente na região do Araguaia.  É uma técnica específica de produção, que envolve o amarrar e processo de secagem. Para tanto, com o certificado, o produto que já ganhou o Brasil e o mundo, terá proteção tanto os produtores rurais que detêm essa técnica de produção quanto o produto, informa o governo.

O nome da iguaria de "Queijo Cabacinha", que é tipo uma muçarela, é devido ao formato que possui após ser amarrada e pendurada para secar. De acordo com as pesquisas, o produto tem origem italiana, e começou a ser fabricado com leite cru para povos nômades, e o seu nome na sua região de origem é 'Caccio Cavalo'.

Em Goiás, o nome já ganhou até “sobrenome”: "Queijo Cabacinha do Araguaia". O produto já apresenta o diagnóstico de Indicação Geográfica pelo Sebrae. Esse selo é uma designação que identifica um produto ou serviço como originário de uma área geográfica delimitada, determinada qualidade, reputação e outras características atribuídas a essa origem geográfica e tem por objetivo agregar valor ao produto e proteger a região produtora. 

O governo detalhou ainda que o "Queijo Cabacinha” já é um patrimônio da cultura goiana, sendo produzido há quase um século nos municípios de Mineiros, Santa Rita do Araguaia, Portelândia, Doverlândia e Perolândia.

Além da região do Rio Araguaia, há grande produção do “Queijo Cabacinha” na região do Sudoeste goiano. A sanção da lei é um passo importante para a obtenção do registro de Indicação Geográfica, processo que tem sido executado pelos produtores com o apoio do Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), e outras instituições parceiras.

Importância cultural

Outro passo, é o registro de Indicação Geográfica (IG) que é conferido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a produtos ou serviços que carregam características únicas graças a seu local de origem. Assim, além de preservar as tradições locais, a IG diferencia o produto, melhorando seu acesso ao mercado e impulsionando o desenvolvimento regional. 

“O reconhecimento do queijo como patrimônio enriquece o nosso dossiê relativo à indicação”, esclarece a engenheira agrônoma da Emater em Mineiros, Márcia Maria de Paula. O trabalho para obtenção do selo começou em 2011, quando representantes do Mapa estiveram no município para a III Festa da Semente e verificaram a existência de um produto típico da região.

A importância cultural se funde com a relevância econômica do produto. De acordo com Márcia, o queijo é fonte de renda de cerca de 500 agricultores familiares dos municípios de Mineiros, Santa Rita do Araguaia, Portelândia, Doverlândia e Perolândia, em Goiás; e Alto Araguaia, Alto Taquari, Araguainha, Ponte Branca e Alto Garças, em Mato Grosso. A produção é estimada em 60 toneladas por mês, o que representa a geração de R$ 1,8 milhões mensais, considerando o preço de um real o quilo.

Com o título de Patrimônio Cultural, os produtores de Queijo Cabacinha têm garantida a valorização do produto e das técnicas de produção. Para o setor, essa conquista é fundamental para a preservação da história e da identidade do povo goiano. “Nós vemos com muita alegria esse reconhecimento, que com certeza irá trazer um diferencial enorme para nossa região, para o Estado de Goiás e todo o Brasil”, comemora a profissional.

No processo de registro, está sendo elaborado um dossiê que será apresentado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Consta no documento informações sobre a história do Queijo Cabacinha, métodos de produção e regulamento de uso. Os benefícios da Indicação Geográfica são vários, desde o reconhecimento nacional e internacional do produto até o impulsionamento do turismo, passando pela geração de empregos e renda. A certificação agrega ainda valor ao produto e protege a região produtora. (Especial para O Hoje) 


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