Economia

Projeções do IMB apontam recuo de 0,3% para o PIB no Estado

Postado em: 20-01-2021 às 23h59
Os indicadores disponíveis até o momento sugerem números não muito melhores para o último trimestre do ano passado | Foto: Divulgação/Secom Gov

Lauro Veiga 

Numa estimativa preliminar, divulgada ainda em dezembro pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), o Produto Interno Bruto (PIB) teria apresentado recuo de 0,3% no terceiro trimestre de 2020, na comparação com igual período do ano passado, num desempenho ainda negativo, mas inferior à queda de 1,4% prevista para o segundo trimestre. O dado sugere uma acomodação na queda e um desempenho menos ruim do que o tombo de 3,9% registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o restante do País. Os números do segundo trimestre sofreram alteração em relação ao prognóstico divulgado anteriormente pelo IMB, que apontava baixa de 2,4% frente ao mesmo trimestre de 2019.

Os indicadores disponíveis até o momento sugerem números não muito melhores para o último trimestre do ano passado. A produção industrial, que havia apresentado avanço de 3,4% no terceiro trimestre, conforme pesquisa mensal realizada pelo IBGE, desabou 8,9% em outubro e voltou a cair em novembro, embora em proporção menos intensa, numa redução de 4,2% em relação ao mesmo mês de 2019. Nos 11 primeiros meses do ano passado, a indústria goiana produziu apenas 0,4% mais do que em igual intervalo de 2019.

O setor de serviços, responsável por 67,0% do PIB goiano, quer dizer, da geração total de riquezas no Estado, apresentou baixas de 5,8% e de 2,5% em outubro e novembro, igualmente na comparação com idênticos meses de 2019. Em julho, agosto e setembro, o setor chegou a sofrer baixas respectivamente de 4,2%, 5,8% e 9,5%, levando o PIB do setor a experimentar uma redução de 1,7% no terceiro trimestre, na projeção do IMB – o que ajudou a derrubar os números do PIB total no Estado. Nos 11 meses iniciais de 2020, o setor de serviços já havia encolhido 8,2% em todo o Estado, em linha com a queda de 8,3% acumulada em todo o País no mesmo período.

Desaquecimento no final

As vendas do varejo ampliado, conceito que incorpora às lojas tradicionais do comércio varejista as concessionárias de veículos e motos, lojas de autopeças e de materiais de construção, haviam crescido 5,5%, 6,2% e 7,3% em julho, agosto e setembro, pela ordem, frente a iguais meses de 2019. Nos dois meses seguintes, as vendas entraram em desaceleração, avançando 5,1% em outubro e recuando 1,4% em novembro, apesar das campanhas e promoções da “blackfriday”. No acumulado do ano, entre janeiro e novembro, mantinha-se um resultado negativo de 2,8%. Esses primeiros dados antecipam uma tendência de desaquecimento para o trimestre final de 2020, num ano que já havia sido particularmente complicado em função da pandemia e das medidas adotadas para tentar contar a disseminação do Sars-CoV-2.

Balanço

·   O relatório do IMB sugere que a forte aceleração do PIB industrial teria evitado uma perda mais severa para o PIB no terceiro trimestre em Goiás. De fato, a indústria teria apresentado um salto de 6,0% frente ao mesmo período de 2019. “Os resultados da indústria goiana têm sido influenciados, desde 2019, principalmente, pelo desempenho da indústria de transformação e dos serviços industriais de utilidade pública (SIUP)”, anota o instituto.

·   Os serviços de utilidade pública associados ao setor industrial, que inclui energia, água, esgoto e outros, apresentaram alta de nada menos do que 11,0% no segundo trimestre, “principalmente devido ao aumento da geração e do consumo de energia elétrica”, avalia o IMB. O crescimento, acrescenta o relatório, estaria relacionado especialmente ao “crescimento da produção industrial e às temperaturas elevadas que ocorreram no período”.

·   Para comparação, no primeiro e segundo trimestres, o PIB da indústria havia registrado variações de 2,5% e de 1,8% diante dos mesmos períodos de 2019. Novamente, o instituto revisou as estimativas para o segundo trimestre, já que a publicação anterior contemplava uma retração de 2,1%.

·   No setor de serviços, o PIB saiu de uma redução de 3,9% (previsão mantida em relação ao dado divulgado em setembro passado) para um recuo de 1,7%, muito menos severo do que a perda de 4,8% sofrida pelo setor em todo o País. Para o IMB, o “resultado foi influenciado, principalmente, pelos segmentos alojamento e alimentação (-7,1%), financeiro (-2,0%) e administração pública (6,5%). O comércio apresentou um crescimento de 3,1% no (terceiro) trimestre”.

·   O IMB considera que a atividade no setor de serviços vinha apresentando taxas trimestrais positivas desde o segundo trimestre de 2017, tendência interrompida no ano passado. A “queda a partir do segundo trimestre de 2020 está relacionada com as restrições impostas pela pandemia da Covid-19. Com as políticas de distanciamento social, vários setores vinculados aos serviços tiveram que operar de forma parcial ou ainda estão totalmente desligados”, concluindo que “essas atividades precisarão de mais tempo para recuperação”.

·   No setor agropecuário, ao contrário, o PIB saiu de uma elevação de 4,6% no segundo trimestre para retração de 3,9% no terceiro, o que se compara com o modesto avanço de 0,4% registrado pelo setor em todo o País.

·   Ainda dependendo dos números de dezembro, a reversão da tendência de melhoras no setor industrial, com a produção caindo fortemente em outubro e novembro, as perdas persistentes nos serviços e o esfriamento relativo das vendas nos dois primeiros meses do trimestre final de 2020 antecipam números não muito positivos para a economia na reta final do ano passado.


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