Segunda-feira, 14 de outubro de 2019
GOIÂNIA-GO
{{tempo.temperatura}}°

Economia

A inércia da equipe econômica para enfrentar o baixo crescimento e o desemprego elevado

Postado em: 12-06-2019 às 19h20
Lauro Veiga

Com o País engolfado por uma crise política que parece assumir caráter quase permanente, a equipe econômica continua se portando com a mesma inércia observada neste começo de ano para o setor varejista de forma geral, para usar a definição escolhida pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) para descrever o cenário atual no comércio. A inércia, no caso do Ministério da Economia e do Banco Central (BC), refere-se à letargia total na definição de medidas que ataquem os problemas econômicos que de fato interessam, a saber, o desemprego nas alturas e o baixo crescimento da atividade econômica. Porque, no lado dos “negócios especiais” para a liquidação do patrimônio público e desmantelamento do sistema público de crédito, a equipe econômica tem demonstrado ativismo sem igual.

Por enquanto, a análise vai se concentrar em parte dos dados conjunturais divulgados ontem, mais especificamente nos números do comércio varejista em abril, trazidos pela pesquisa mensal sobre o setor realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para continuar na descrição do Iedi, até aqui, “o comércio varejista (...) ainda não mostrou a que veio”. As vendas no conceito “restrito”, que engloba apenas segmentos exclusivamente varejistas, recuaram 0,6% em abril, na comparação com março, já descontados fatores sazonais (como feriados, por exemplo, que podem distorcer as comparações). Incluindo as revendas de veículos e autopeças e as lojas de material de construção, que atuam igualmente nos mercados de varejo e atacadista, as vendas simplesmente não avançaram um milímetro sequer.

Aquém do esperado

Na avaliação dos economistas Luka Barbosa e Matheus Felipe Fuck, do Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco, os dois resultados vieram abaixo das expectativas do mercado e também da instituição. No caso do varejo restrito, esperava-se recuo de 0,1% (mediana do mercado) a 0,4% (projeção do Itaú). As vendas no comércio ampliado, nas previsões, tenderiam a avançar entre 0,3% e 0,4%. Os resultados apresentados pela pesquisa do IBGE parecem indicar, portanto, que a demanda doméstica estaria mais retraída do que esperavam os mercados, o que, mais uma vez, assumindo o risco de tornar a coluna repetitiva e, portanto, cansativa além da medida, reafirmaria a necessidade de mudanças de rumo na política econômica e especialmente na política de juros, com novos cortes na taxa básica.

Balanço

·   As vendas do varejo (restrito e ampliado) vêm numa espécie de montanha russa nos últimos meses, alternando meses de altos e baixos. Na comparação com o mês imediatamente anterior, o setor varejista tradicional (ou restrito, na classificação do IBGE) recuou 0,1% em fevereiro, repôs a perda em março (+0,1%) e perdeu 0,6% em abril.

·   No varejo ampliado, os resultados não foram muito melhores, com baixa de 0,5% em fevereiro, seguida por alta de 1,1% em março e zero de variação em abril.

·   Considerando igual mês do ano passado como base, as vendas no varejo restrito cresceram 4,0% em fevereiro, perderam 4,4% em março e anotaram reação de 1,7% em abril. Na mesma sequência, as vendas no varejo ampliado subiram 7,8%, baixaram 3,4% e cresceram 3,1%.

·   Segundo o Itaú Unibanco, os primeiros indicadores coincidentes, incluindo o licenciamento e vendas de veículos e consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), sugerem elevação de 0,2% para o varejo restrito e de 0,6% para o ampliado entre abril e maio. Ou seja, seria mantida a tendência de baixo crescimento – se essas previsões se confirmarem, o que não tem ocorrido com frequência.

·   Comparado a dezembro do ano passado, as vendas do varejo convencional não se mexeram, mostrando quatro meses de paralisia virtual. No varejo ampliado, registrou-se elevação de 1,5%.

O desempenho foi pior em Goiás, já que os varejos restrito e ampliado anotaram baixas de 1,3% e de 2,5% entre março e abril, com variações de 0,6% e zero frente a abril do ano passado, na mesma ordem. Entre 10 segmentos pesquisados, seis apresentaram perdas em relação a abril de 2018. 

Seja o primeiro a comentar

Fazer comentário

Acesse sua conta para comentar, é rápido e gratuito.

Inscreva-se na newsletter e receba

conteúdo exclusivo

Digite aqui o que deseja pesquisar