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Economia

Inflação recua mais do que o previsto e Banco Central mantém seu imobilismo

Postado em: 11-05-2019 as 06h00
Lauro Veiga

O recuo das taxas de inflação ao consumidor já era mais do que esperado e assumiu, até aqui, uma tendência ligeiramente mais acentuada do que aquela esperada pelos mercados, o que justifica o fato de o setor financeiro não ter alterado suas apostas para os 12 meses de 2019 e também para 2020, nesta área. Mas não explica o conservadorismo excessivo do Banco Central (BC), que decidiu novamente manter inalterada em 6,50% a taxa básica de juros.

Na visão dos analistas de sempre, a cautela do BC estaria plenamente justificável, já que a política monetária (ou seja, a política de juros sempre altos) deve olhar para frente, de modo manter dentro das metas inflacionárias as tais “expectativas do mercado” (quer dizer, do setor financeiro e de seus departamentos econômicos). Como a meta para a inflação de 2021 está fixada em 3,75% e as projeções do mercado têm flutuado acima daqueles níveis (algo entre 3,8% e 4,3%), não seria recomendável reduzir os juros neste momento.

Para reforçar, argumentam que, no Brasil, o regime de metas inflacionárias não estaria completamente consolidado (muito embora o sistema esteja sob crítica de acadêmicos e especialistas no mundo desenvolvido) e que, por aqui, em duas décadas, a inflação ficou acima da meta em 70% daquele período. Em 30% das vezes, a taxa ficou exatamente na meta (15%) ou abaixo dela (15%).

Há dois pontos controversos no raciocínio. O primeiro deles: sempre se poderá aumentar os juros mais adiante se e quando os preços ensaiarem alguma alta. O analista argumenta que esse tipo de procedimento pode desacreditar a política de metas inflacionárias. Então, a questão é por que ter uma política do tipo se ela desconsidera o cenário de penúria econômica, desemprego e sacrifícios para o povão?

Se não agora, quando?

O segundo ponto: o País enfrenta agora uma fase de taxas inferiores à meta (a despeito das variações altistas colhidas no início do ano e já revertidas, como se verá a seguir), com baixo crescimento, desemprego em alta e aparente incapacidade de reação do mercado de trabalho diante das incertezas causadas pela baixa demanda doméstica e por turbulências no cenário político. Se este não é o momento para rever para baixo os juros, quando será? Lembrete final: a despeito do histórico negativo do País quando se tem essa combinação de crise na economia e na política, os preços têm se mantido muito bem-comportados.

Balanço

·   Em abril, oÍndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio abaixo do esperado na média das apostas do mercado financeiro, recuando de 0,75% em março para 0,57%. Os mercados esperavam, nas previsões mais citadas, alguma coisa próxima a 0,62%.

·   A taxa acumulada em 12 meses avançou para 4,94% porque a inflação observada em abril do ano passado havia sido bem mais baixa(0,22%) e foi “substituída”, no cálculo do índice acumulado em 12 meses, por outra mais elevada.

·   Essa tendência deve ser revertida a partir deste mês, já que a expectativa é de uma inflação mais próxima de 0,29% (na previsão do Itaú Unibanco), diante de 0,40% em maio do ano passado. Nos meses seguintes, os preços foram puxados para cima pelo “choque” inflacionário causado pela greve dos caminhoneiros.Em junho de 2018, o IPCA chegou a atingir 1,26%, diante de projeção do Itaú na faixa de 0,4% para o mesmo mês deste ano.

·   O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), caiu de 0,80% nos 30 dias terminados na primeira semana de abril para 0,57% no acumulado das quatro semanas até o dia 7 de maio, confirmando a tendência de desaceleração.

·   As pressões no setor de alimentos, que contribuíram para a alta recente das taxas inflacionárias, vêm igualmente minguando. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) recuou de 1,35% para 1,09% entre março e abril, com os preços dos produtos agropecuários passando de alta de 3,02% para recuo de 0,41%.

Os preços do milho, da soja e do feijão caíram 6,39%, 1,88% e 11,35% em abril, também no atacado. 

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