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Cultura

Biblioteca infantil: conservatório de ideias

Postado em: 19-06-2019 as 06h00
Obras da literatura infantojuvenil estão disponíveis em novo espaço na Capital

Guilherme Melo e Sabrina Moura 

Com o objetivo de proporcionar agradáveis experiências ao público infantojuvenil, o Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), unidade da Secretaria de Cultura de Goiás (Secult Goiás), inaugura, nesta quarta-feira (19), sua biblioteca infantil, localizada no 1° piso do prédio principal, em Goiânia. Após um café da manhã para imprensa e convidados, às 8h, a biblioteca será aberta ao público às 8h45. O funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, com entrada gratuita.

Para o secretário da Cultura de Goiás, Edival Lourenço, as bibliotecas infantis são importantes para estimular a leitura e fazer com que ela se torne um hábito – em uma sociedade em que a tecnologia e os jogos virtuais deixam as crianças vidradas –, resgatando experiências lúdicas. “A biblioteca infantil do CCON, em Goiânia, é uma nova opção cultural para pais e filhos, que podem utilizar o espaço para fortalecer laços por meio da leitura. As escolas públicas e particulares também podem trazer seus alunos para conhecer grandes obras da literatura infantil e juvenil”, explica ele.

A curadoria do acervo foi realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), e reúne obras de consagrados autores – como Ziraldo, Monteiro Lobato, Tatiana Belinky, Sônia Junqueira, Roger Melo e Ana Maria Machado. “Atualmente, existem cerca de 20 bibliotecas que permitem acesso do público em Goiânia e que possuem seções de literatura infantil. Acreditamos que a biblioteca infantil do CCON seja pioneira em oferecer um espaço totalmente voltado para crianças e jovens. Ao todo, são 11.000 títulos que reúnem literatura de ficção, informativa, cordel, poesia e ainda história em quadrinhos”, conta Edival.

O secretário evidencia, ainda, que as bibliotecas são espaços de construção do conhecimento e podem auxiliar na formação cidadã do indivíduo: “A literatura proporciona uma compreensão da diversidade cultural de nossa sociedade, e, assim, podem desenvolver o respeito às plurais formas de ser e existir. A leitura, na infância, é imprescindível para a formação de bons leitores e de cidadãos mais conscientes e críticos – além de auxiliar na aprendizagem e na comunicação”.

Já na opinião da psicóloga clínica infantojuvenil e hospitalar Hully Segatti, é de grande valia a inauguração da biblioteca, já que atualmente, as pessoas vivem em uma era da informação e da informatização. “Dificilmente, as crianças pegam em um livro para manusear; há algumas na faixa etária de 6 a 8 anos que nunca ganharam um livro de presente – o que é completamente diferente de antigamente, quando havia uma ansiedade para chegar, por exemplo, a próxima edição da coleção de gibis da Turma da Mônica”, relembra a profissional, que é pós-graduada em Neuropsicologia, mestranda em Análise do Comportamento. “A criança que lê é mais inteligente, sendo possível perceber essa diferença na forma como ela conversa e no vocabulário que ela utiliza. A partir do momento em que há o incentivode ir até uma biblioteca, ela está sendo inserida em um conservatório de ideias – a criança sai da sua zona de conforto e de um mundinho virtual, e é inserida a um universo de possibilidades”, completa Hully.

Para Segatti, o espaço também contribui para a interação entre pais e filhos: “Vivemos em uma época em que os pais não têm tanto tempo para os filhos, e acham que podem suprir a necessidade afetiva com presentes, brinquedos e tecnologia. A ‘presença presente’, que é o que realmente importa, tem sido deixada a desejar. A partir do momento em que o responsável leva a criança para a biblioteca e fica com ele, o momento se torna um investimento na vida emocional da criança, construindo sua personalidade, além de gerar o ato de se conhecer e ser conhecido por ambos os lados”.

Escritores infantojuvenis

Na opinião dos escritores do universo intantojuvenil, como a escritora Daniela de Brito, o livro é importante para desenvolver algumas funções nas crianças. “As obras trabalham com o lúdico, desenvolvendo melhor as relações da criança com o indivíduo, a comunidade e o meio ambiente. A literatura faz com que a criança desenvolva um raciocínio lógico, por exemplo. Quando vamos ao cinema, geralmente não refletimos sobre as ações dos personagens; já com os livros, é possível analisar a ação dos personagens – e isso ajuda a estabelecer noções e valores básicos da nossa sociedade”, afirma. 

Para Daniela, o hábito da leitura nas crianças deve ser um reflexo dos pais. “Eu sempre li muito, com isso meus filhos sempre estavam curiosos para saber o que eu estava lendo. Isso foi fundamental para estimular a leitura neles. Quando eram pequenos, eu me deitava entre eles e lia uma história. Um dia eles me falaram que eu não precisava ler para eles, que cada um podia ler seu livro. No início, me senti meio abandonada (risos), mas entendi que consegui estimular a leitura deles”, conta. 

Autora de O que segura as nuvens no céu? e João e o pé de pequi, Daniela expressa a importância de existir uma biblioteca para as crianças. “É muito rico ter um espaço destinado às crianças com a linguagem, o estilo e o jeitinho deles. Mas é importante, também, que esse espaço consiga interagir com os pais, avós e crianças estabelecendo um vínculo entre todos”, informa.

Com mais de 30 anos de carreira, o escritor Miguel Jorge opina que a leitura é importante para ensinar a gramática padrão para as crianças. “A literatura é a forma mais divertida de se aprender; as crianças podem viajar e sonhar, aprendendo sobre a língua, o folclore, a história e a cultura”, conta. 

Em tempos de uma era digital, o escritor indica que os livros precisaram se adaptar para sobreviver aos aparelhos eletrônicos, se tornando mais lúdicos e interativos. “É muito importante existir um espaço próprio para as crianças. Assim como os pais as levam para brincar e jogar, é importante levá-las  também para ler”, finaliza Miguel Jorge.

Complexo

Além da biblioteca infantil, fazem parte do Complexo de Bibliotecas do Centro Cultural Oscar Niemeyer uma biblioteca para o público adulto e uma biblioteca virtual, previstas para serem inauguradas no segundo semestre. 

(Guilherme Melo e Sabrina Moura são estagiários do jornal O Hoje sob orientação da editora do Essência, Flávia Popov)

 

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