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Cultura

Board games, uma diversão para a qualidade de vida

Postado em: 11-06-2019 às 06h00
Com o estímulo de filmes e séries, especialistas afirmam que jogos de tabuleiros ajudam a diminuir o estresse e melhorar o raciocínio

Foto: Divulgação

Guilherme Melo

Em dezembro deste ano a ‘Sony Pictures’ pretende lançar o último filme da triologia ‘Jumanji’, contando a história de adolescentes que encontram um jogo e vão parar dentro da história. O a saga reproduz um comportamento que muitas outras produções audiovisuais estão replicando também, os jogos de tabuleiros. Séries como ‘The Big Bang Theory’, ‘Friends’, ‘Weeds’ e ‘Stranger Things’. Este último apresenta quatro amigos tentando vencer um monstro de ‘Dragons e Dungeons’, que veio para a vida real. A série trabalha como a memória, estratégia e raciocino dos personagens, um estimulo presente nos jogos de tabuleiros que fazem sucessos até hoje, nesta era do digital.

Rafael Matos, de 33 anos, conta que joga tabuleiros desde criança, com uns 6 anos, e descreve que sua primeira experiência foi com o jogo Banco Imobiliário. “Lembro de brincar com meus pais, avós e primos. Era bem legal, uníamos toda a família naquele momento”, conta o rapaz.  Rafael explica que no universo geek, sinônimo para a gíria nerd, existem três tipos de jogos não digitais. “Os card games, que são jogos de cartas; Os role-playing games (RPG), que são os jogos de interpretação de personagens e por fim, os board games, que são os jogos de tabuleiros”, revela.

Atualmente, Rafael trabalha em uma loja especializada em jogos e produtos culturais, e explica como os tabuleiros ajudam as pessoas. “Acho que os boardgames ajudam muito no desenvolvimento das pessoas, são excelentes dessestressantes. Depois de uma semana cansativa, eles (jogos) ajudam a desenvolver um raciocínio lógico, novas amizades e até me ajudou em outros idiomas”, garante.  Para alguns pesquisadores os jogos de tabuleiros ajudam a desenvolver algumas funções que serão úteis na vida adulta. E o que a psicóloga comportamental Amanda Machado explica.

Amanda trabalha com o comportamento infantojuvenil há cerca de 8 anos e conta como o jogo pode ajudar na construção psicocomportamental. “Os tabuleiros ajudam a desenvolver a psicomotricidade, a memória visual e verbal, os conflitos emocionais sem falar que desenvolve a interação social”, relata Amanda. A psicóloga trabalha com os board games em suas seções, segundo ela o jogo ajudar na aproximação entre profissional e paciente, além de ajudar a entender a personalidade da pessoa que ela vai trabalhar, “Nas terapias consigo entender como vou lidar com aquele paciente por meio dos jogos, consigo saber se ele é sereno, se é calmo, se tem boa concentração ou não”, finaliza a psicóloga. Ela afirma que algumas diferenças dos jogos digitais e de tabuleiro podem influenciar na formação, “O jogo eletrônico por ser mais rápido não trabalha com o raciocínio do jogador e também a interação social é menos trabalhada” explica Amanda.

A psicóloga ainda conta que os desenvolvimentos das habilidades psicomotoras podem ocorrer em qualquer época da vida, e não necessariamente só na infância.  “Os jogos são ótimos para crianças e adolescentes, mas são excelentes para adultos e principalmente idosos que estimulam a concentração e a memória”, finaliza. Para o designer Marcos Araújo, de 22 anos, os jogos sempre vão parte da sua vida. Ele que teve o primeiro contato com os tabuleiros aos 6 anos, através do irmão de um amigo, hoje ele já começa a ensinar seu filho de 2 anos. Marcos participa do grupo ‘Quero Jogar RPG’ que organiza competições e eventos sobre o mundo geek.

“Jogue como uma garota” 

Na segunda temporada de ‘Stranger Things’ é apresentado a personagem ‘Max’, interpretada pela atriz Sadie Sink. Na trama ela se muda para a cidade fictícia de Hawkins e acaba conhecendo o grupo de amigos protagonistas. Antes de Max entrar na turma e participar das aventuras e dos jogos do grupo, alguns personagens criam uma certa resistência por ela ser menina. Essa situação ultrapassa a ficção para a realidade, é o que a estudante universitária Rafaela Moura explica. “Sempre você vê mais homens jogando, tanto que das minhas amigas eu era a única que jogava”, conta a jovem de 23 anos. O mercado de jogos para o público feminino em Goiânia ainda é fechado, mas já apresenta uma certa melhoria. “Quando eu era criança, eu escutava muito que eu jogava igual uma menina, sempre de forma pejorativa. Hoje os meninos me chamam para jogar. Parece que o jogo virou (risos)”, brinca a jovem.

Mercado para poucos 

O mercado de jogos geek em Goiânia ainda é bem escasso conta Rafael Matos. “O mercado é melhor nas redes sociais, abrir uma loja física requer um bom projeto e muita determinação” comenta. Determinação foi a palavra que Raubher Borba, de 28 anos, precisou para criar uma editora de jogos. “Fiz um jogo de tabuleiro para meu projeto de conclusão de curso como Design Gráfico, uma das barreiras que encontrei foi quem produzisse meu jogo, então decidi criar minha própria editora”.  Raubher já está com o lançamento do seu terceiro board game para o segundo semestre deste ano. “Produzir jogos de tabuleiros, que sejam modernos é uma dificuldade, ai que entra o trabalho do design de deixar as ilustrações, personagens e gráficos realistas”, finaliza Raubher.

(Guilherme Melo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação da editora do Essência, Flávia Popov) 

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