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Cultura

Um amor sulista

Postado em: 22-05-2019 às 06h00
Nesta quinta-feira (23), tem início a 13ª edição da FenaSul, evento que integra o calendário goiano de atividades culturais

SABRINA MOURA E GUILHERME MELO* 

A 13ª edição da FenaSul começa nesta quinta-feira (23) e vai até o dia 2 de junho, no Master Hall, em Goiânia. O evento, cujo objetivo é preservar a tradição sulista, conta com o Tombo da Polenta, uma das maiores atrações da cultura italiana e do Rio Grande do Sul. Com o intuito de resgatar um pouco dessa tradição da Itália, o Grupo Polenteiros se apresenta na quinta (23), na sexta (24), no sábado (25) e no domingo (26).

A feira reúne atrações culturais, moda, artesanato e gastronomia do Sul do País, sendo mais de 50 expositores com produtos tradicionais, festival de cucas, artesanato, decoração, moda couro, os tradicionais chocolates de Gramado, salames, queijos e vinhos. Segundo o organizador do evento, Sérgio Silva, o objetivo é manter um intercâmbio comercial e cultural. “Brasil é um País diversamente rico, e a cultura gaúcha é um reflexo desse intercâmbio de culturas, como as alemãs, italianas, portuguesas e espanholas, que colonizaram a região. Então vamos levar essa tradição, que é diferente de muitos lugares do Brasil”, explica o organizador. 

Um resgate que o fotógrafo Antenor Tatsch reconhece muito bem. De origem alemã, o sulista acompanha quase todas as edições da FenaSul em Goiânia e em outras regiões do Brasil. “O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados do País que mantêm a tradição. Eventos, assim, são muito importantes para relembrar, por exemplo, a tradição do gaúcho que meu pai me ensinou desde criança; hábitos passados de gerações para gerações, como o cuidado com a terra, a importância da honestidade, o cuidado com a família, os churrascos e as polentas”, lembra o fotógrafo com com ar de saudade. 

Além dos costumes, Antenor ressalta a deliciosa culinária sulista que, segundo ele, o Brasil interior consome. “Os gaúchos vão além do churrasco e do chimarrão; a cuca com linguiça, por exemplo, é uma comida típica da região, herdada dos alemães; e a paella, dos espanhóis, é comida típica da região (sinto saudade até hoje)”, relata. Antenor revela que é muito bom ver eventos divulgando a cultura gaúcha. “Além de toda a cultura, temos muito orgulho de receber o nome da Revolta de Farroupilha, que mostra o espírito livre e justiceiro dos gaúchos”, conta ele sobre o comportamento que inspirou o nome do grupo de danças gaúchas Herdeiros Farroupilha, que participa do evento. 

Comportamento que o gaúcho Marco Valério Sanchotene também carrega com orgulho. Hoje, ele reside em Goiânia, mas participa da feira todos os anos. “Eu sou do Sul, e para as pessoas que não estão mais no Sul eventos como esta feira são importantes para integrar as pessoas da sua terra. Mesmo gostando do arroz com pequi, é ótimo resgatar lembranças da nossa terra”, reforça Sanchotene. 

SERVIÇO

13ª edição da FenaSul

Quando: de 23 de maio a 2 de junho de 2019

Onde: Master Hall (Rua: 23, nº 40, Jardim Santo Antônio – Goiânia)

Horários: de segunda a sexta das 16h às 23h;  aos sábados, domingos e feriados das 12h às 23h

Somente na abertura, no dia 23 de maio, o horário será das 18h às 23h

Valor do ingresso: R$ 8 ( meia-entrada para todos; menores de 10 anos têm entrada gratuita)

Mais informações: www.fenasul.com.br

 

‘Tombo da Polenta’: receita simples, feita com amor e tradição 

Ela é um costume que os imigrantes italianos, quando vieram para o Brasil, trouxeram consigo. Ao chegarem, colonizaram principalmente o estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente na Serra Gaúcha. A tradição da polenta ocorria na Itália, na época nas festividades, e essa tradição também veio para as festas do Brasil – não só no Rio Grande do Sul, mas também em Santa Catarina e no Espírito Santo.

Nesta edição, a feira traz o Tombo da Polenta. Segundo o coordenador Leandro Fardina, a iguaria é feita nos mesmos padrões que os imigrantes italianos faziam. “A polenta da feira tem o acompanhamento de molho à bolonhesa que o público pode fazer, gratuitamente, a degustação. No estado do Rio Grande do Sul, onde realizamos a festa da polenta, é algo gigante, com aproximadamente mil quilos o panelão, porém nas feiras da FenaSul a proporção é a de cem quilos, possível de ser feita dentro de um pavilhão de eventos e permitida pelo Corpo de Bombeiros” explica ele.

Segundo o coordenador, existem muitos lugares onde a polenta é feita diferentemente do ‘tradicional’. “Mesmo no Brasil, ela é um pouco modificada, tendo, em alguns lugares, nomes como angu, ou angu à baiana, podendo levar couve e bacon na receita. A nossa polenta segue os padrões da região norte da Itália. Tradicionalmente no Sul, a polenta possui duas formas, a mole para servir à bolonhesa e dura para servir com churrasco e acompanhamentos”, explica Fardin.

O coordenador do Tombo da Polenta ainda revela que a receita é simples: água, sal, fubá de milho da melhor qualidade – de preferência moído no moinho de pedra – e muito amor. “Costumamos dizer que, quanto mais a polenta demora a ficar pronta, melhor ela fica, pois é o tempo que temos de ficar conversando com as pessoas que chegam, curiosas, e, ao explicarmos todo o processo da polenta, nós estamos fazendo amigos. O churrasco é da mesma forma: quanto mais ele demora a ficar, pronto mais amigos a gente faz”, finaliza Leandro.

*Integrantes do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação 

da editora Flávia Popov

 

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