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Cultura
Música
14/02/2018 | 06h00
‘Violino Novos Caminhos’: democratização do acesso à cultura
Projeto de cunho social oferece aulas gratuitas de violino a adolescentes do Jardim Novo Mundo em Goiânia

GABRIELLA STARNECK*


O projeto Violino Novos Caminhos oferece aulas gratuitas de violino para adolescentes entre 10 e 17 anos, do Jardim Novo Mundo, na Capital.O curso, que começa no próximo dia 20 de fevereiro, já está com as inscrições abertas para 30 vagas que serão divididas em duas turmas, uma noturna e a outra matutina ou vespertina – a depender da disponibilidade dos matriculados. “O objetivo do projeto é ensinar crianças e adolescentes, principalmente da periferia, que não têm acesso a essa iniciativas”, afirma Graziene Moreira, produtora responsável pelo projeto.

A iniciativa objetiva usar a música como um instrumento de transformação social na vida dos jovens. Pelo Brasil, a grande mídia notícia com frequência projetos musicais espalhados pelo Brasil que mudaram por completo a realidade de crianças e jovens moradores de morros no Rio de Janeiro ou de comunidades na cidade de São Paulo, como a iniciativa do maestro João Carlos Martins, por meio da Fundação Bachiana, uma das mais conhecidas no país. Inspirados em ações como essa, o professor Srilis Leonel Mourão, juntamente com sua esposa Graziene, tiveram a ideia de criar o Violino Novos Caminhos.


Projeto

O Violino Novos Caminhos tem o apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás (FAC), cuja aprovação se deu no edital de 2016, e também possui parceria com a Paróquia Divino Espírito Santo – que cede o local para realização do evento. Por esse motivo, a iniciativa é gratuita e não exige do aluno que ele tenha o instrumento. Todos os violinos utilizados para as aulas serão disponibilizados aos participantes do curso pelo professor Srilis. 

Ministrado pelo professor Srilis Leonel Mourão, músico e luthier com longa e reconhecida trajetória em projetos sociais na cidade de Goiânia, o projeto oferece aulas gratuitas por um período de oito meses para os adolescentes do Jardim Novo Mundo.O Violino Novos Caminhos terá três módulos em que os alunos receberão aulas práticas e teóricas do instrumento. E como uma maneira de deixar o projeto ainda mais abrangente, durante esses módulos haverá a realização de duas master classes com professores convidados, momento em que os mesmos poderão aprimorar os conhecimentos adquiridos ao longo do período do curso.

Na ativa desde o ano de 2004 com o projeto Rabecas e Percussão, Srilis já levou seus instrumentos por diversas comunidades goianas, ensinando crianças e jovens de todas as idades e realidades sociais. Inclusive, segundo Graziene, quem teve a ideia inicial de criar o projeto foi Srilis, que já trabalhava com o projeto Rabecas e Percussão – inclusive ele começou a estudar violino pelo fato de fazer rabecas. “A partir do desenvolvimento do conhecimento da fabricação de rabecas, o Srilis resolveu estudar violino, e agora surgiu essa oportunidade de fazermos um projeto voltado especialmente para a aprendizagem desse instrumento”, destaca a esposa, que completa. “O projeto é voltado para área musical, porque o professor é músico e já trabalha com essa área há bastante tempo. Por isso a iniciativa é voltada para música, porque é a competência que ele desenvolve”, enfatiza. 


Importância

Segundo Graziene, a maioria dos projetos musicais ocorre no Centro de Goiânia, onde geralmente a população tem acesso aosequipamentos. No entanto para as pessoas que moram distantes dessa região ter contato com instrumentos musicais é um desafio, e, por isso, o projeto foi criado. “O Violino Novos Caminhos é uma oportunidade de descentralização e uma forma de democratizar o acesso a iniciativas sociais voltadas para área musical. O intuito é levar a cultura até pessoas, e não fazer com que elas tenham que ir ao local onde acontecem as iniciativas sociais”, afirma a produtora.

Com larga experiência em projetos socioculturais, Graziene acredita no poder transformador da música, e explica que iniciativas como essa têm a força de abrir novas portas e possibilidades no caminho de jovens de locais como o Jardim Novo Mundo. Ela ressalta que já vinha pensando em projetos destinados para essa região do município de Goiânia por causa do cenário local e porque morou no setor com seu esposo por 11 anos: “o Jardim Novo Mundo mudou bastante nos últimos anos, entretanto ainda é uma região de alto índice de bandidagem e periculosidade”. 

Por esse motivo, o projeto tem um peso importantíssimo para a comunidade, ali inserida, principalmente para os jovens.“É muito importante ter um contato com a música na infância e adolescência. São momentos de formação e transformação, e uma atuação como essa pode contribuir e muito para o desenvolvimento pessoal destes jovens”, ressalta Graziene.A idealizadora do projeto explica que a intenção também é alterar para sempre a vida destes adolescentes: “Esperamos que eles se desenvolvam e acreditamos que o curso poderá despertar o interesse deles para um futuro na música, por isso o Violino Novos Caminhos será tão intenso, com mais de 200 horas, para funcionar mesmo como um preparatório”. 

Ao final das aulas, segundo Graziene, “os alunos estarão aptos a concorrer em testes de aptidão musical em conservatórios, universidades e até mesmo para o vestibular, já que as aulas são compostas de prática e teoria, permitindo o exercício da música não somente para este instrumento. Além disso, o projeto contribui para a popularização da música erudita, funcionando como uma ferramenta de difusão e apropriação deste universo”.

*Integrante do programa de estágio do jornal O HOJE sob orientação 

da editora Flávia Popov


SERVIÇO

‘Violino Novos Caminhos’

Aulas práticas e teóricas

Quando: de 20/2 a 30/9/2018

Onde: Paróquia Divino Espírito Santo

Entrada gratuita

Mais informações e inscrições: (62) 98468-2592 


Entrevista : Srilis Leonel Mourão 

Como é lidar com crianças e jovens na área musical?

Quem tem filho sabe que não é uma tarefa fácil, então você imagina para um professor, principalmente de música. A gente precisa ter uma paciência, uma habilidade e uma flexibilidade, na hora certa, e saber colocar os limites de cada coisa, o que não é uma tarefa fácil. Mas o bom é que na licenciatura a gente aprende algumas coisas importantes na área da psicologia – principalmente comportamental – para saber lidar com diversas situações no trato com crianças e jovens


De que forma o contato desses jovens com a música colabora para transformação social?

Não só a música, mas também os esportes e outras áreas das ciências e das artes, como o teatro e a dança, são portas que se abrem para esses jovens e ampliam a perspectiva de futuro deles. Não é que a música tenha um papel especial nessa perspectiva de transformação social, mas é mais uma possibilidade de crescimento e desenvolvimento para esse jovem. Porque muitas vezes os jovens da periferia não têm acesso à música, à dançae às artes em geral. Até a educação pública, às vezes, deixa a desejar no ensino de matérias como filosofia e sociologia – que ajudam o aluno a desenvolver um pensamento mais crítico em relação à sociedade em que está inserido. Essas matérias colaboram para que o cidadão se torne um protagonista na transformação do meio em que vive. A música é uma possibilidade na vida do jovem para ampliação conceito social e da vida social.


Quais são as principais dificuldades em promover o projeto?

Nesse meu caso, que é um projeto social feito com o Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, não temos tantos pontos difíceis em lidar com os jovens, porque os subsídios que nós temos facilitam esse contato. Talvez uma dificuldade que a gente encontre é justamente a captação desses jovens para participar do projeto, porque muitas vezes esses jovens, por não terem essa perspectiva cultural, não terem essa cultura desenvolvida nesse meio periférico, não se interessam muito pelo que é cultural. Eles estão mais ligados ao ensino profissionalizante. Às vezes, o pai a mãe têm mais interesse que o filho vá fazer um curso de informática, de secretariado para que o filho já entre no mercado de trabalho. Eles não veem a música e as artes como uma possibilidade de inserção no mercado. Observando a reforma do ensino médio e as estruturas que estão sendo organizadas nos setores políticos nacionais, como a reforma da previdência, é possível notar que a sociedade fomenta o ingresso do jovem cada vez mais cedo no mercado de trabalho formal. Não é uma estrutura pensada no desenvolvimento do ser humano, mas uma cultura pensada no desenvolvimento da mão de obra. 


No Jardim Novo Mundo existem projetos sociais semelhantes a esse?

No Jardim Novo Mundo, eu não me recordo de nenhum projeto, mas um que me vem a minha mente é um próximo ao setor, chamado ‘Ponto de Cultura Buracão do Mestre Vermelho’. Nesse projeto, eles ensinam capoeira e outras coisas da cultura afro-brasileira, mas ali, no Novo Mundo, eu não conheço outros projetos sociais semelhantes ao nosso. Na verdade, em Goiânia mesmo eu não lembro de ter visto projetos sociais desse molde, que levam música erudita para jovens da periferia. Porque o estudo do violino é considerado uma cultura erudita; nós não estamos levando apresentações, estamos ensinando a tocar. Um projeto que seria semelhante ao nosso é o que está sendo feito pelo governo de Goiás nas cidades do interior. Estão formando orquestras jovens nessas cidades interioranas. 

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