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Cidades
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15-05-2019 | 06h59
Desmatamento faz aves migrarem
Diminuição da área verde do Cerrado pode estar contribuindo com migração desses animais para centros urbanos

Higor Santana*

Nos últimos anos o céu de Goiânia tem sido agraciado com o aparecimento de espécies exóticas de araras. Algumas até consideradas em risco de extinção estão deixando as matas e florestas e migrando para o centro urbano da cidade. Por conta do desmatamento do Cerrado e a vasta diversidade de árvores que a capital goiana tem, especialistas acreditam que nos próximos anos o número de migração desses animais silvestres para a cidade deve aumentar ainda mais. 

É como explica o biólogo e professor universitário, Gláucio Freitas Oliveira e Silva. Para ele, Goiânia tem o perfil perfeito para esses animais. “Elas precisam de árvores, principalmente de palmeiras, para se nidificar. E em Goiânia temos uma grande quantidade desse tipo de árvore. A palmeira imperial, por exemplo, que é uma espécie de árvore exótica, serve como abrigo e ninho para esses animais. Por conta do desmatamento, elas estão sendo forçadas a abandonar o ambiente natural de onde são, então acabam tendo bastante sucesso aqui na Capital”, explica o biólogo.

Ainda de acordo com Gláucio, uma das principais espécies que encontrou na Capital um novo lar é a arara-azul, também chamada de araraúna ou simplesmente arara-azul. O animal que pode chegar a um metro de comprimento e pesar até dois quilos, vive nos biomas da floresta Amazônica e, principalmente, no Cerrado e Pantanal. Já chegou a ser considerada uma espécie ameaçada, mas em 2014 foi retirada da lista brasileira de animais em extinção. 

“No bairro onde moro, há alguns anos um casal chegou e começou a se reproduzir. Hoje, já temos cerca de sete ou oito animais apenas em uma árvore. Então isso é bom por que estamos tendo um sucesso reprodutivo desses animais”, explica o biólogo.

Parques são moradias

Para Gláucio, os parques acabam sendo um atrativo para esses animais. Com a diversidade de alimentos, espécies de árvores, e o próprio clima, a comunidade não só de araras, mas também de outras espécies de aves, podem encontrar nas cidades, uma chance de lutar contra a extinção.

“Aqui eles contam com os buritizais, a paina, que é uma árvore grande típica do Cerrado, os próprios frutos dessas árvores que elas conseguem se alimentar. O clima também é outro fator que favorece a proliferação e reprodução. Com as palmeiras, elas encontrar lugar de nidificar, e o melhor de tudo é que aqui elas não têm predadores. Com isso, as populações desses animais que mudaram pra cá acabaram fazendo residência e aumentando cada vez mais”, explica Gláucio.

As araras-azuis alimentam-se basicamente de semente de palmeiras. Sua capacidade de ingerir esse tipo de alimento está diretamente relacionada à força de seu bico, que é capaz de quebrar com facilidade essas sementes. Entre as sementes que servem de alimento para essa espécie de arara podemos citar aquelas do acuri, babaçu, bocaiuva, buriti, inajá e licuri.

Adaptação 

O fotógrafo e também biólogo Nunes D’ Acosta, explica a facilidade de adaptação que os animais encontram. “De dez anos para cá aumentou bastante o número desses animais na cidade. Aves como a Arara canindé e a arara-azul encontram comida com facilidade nas árvores dos parques. Creio que a biodiversidade de Goiânia contribui com facilidade para que elas se adaptem”, afirma.

Goiânia não é a única que passou a contar com a beleza desses animais. Em Rio Verde, no Sudoeste de Goiás, as araras-azuis moram na principal rua da cidade, a Avenida Presidente Vargas, no Centro. Os moradores se divertem e acham as aves bonitas, mas o perigo existe. No ano passado, uma arara foi encontrada por um morador com sinais de queimadura depois de bater em uma rede de alta tensão. De acordo com a veterinária que atendeu o animal, estes acidentes são comuns.

Cuidados

A proximidade entre animais silvestres e seres humanos, cada vez mais comum nos centros urbanos, pode representar um risco à saúde pública, pois alguns podem ter doenças que podem ser transmitidas à população. Mas de acordo com biólogo Gláucio, as aves acabam sendo menos nocivas a saúde humana, do que os mamíferos. “Por ser um animal silvestre, eles acabam sendo portadores de algumas doenças sim, mas os ratos, as moscas ou até mesmo gatos, transmitem muito mais doenças do que essas aves. O próprio pombo, que esta disperso pelo mundo inteiro, consegue transmitir mais doenças do que as aves selvagens”, explica.

Mesmo assim, o cuidado deve ser tomado. “Todo cuidado é pouco. O contato direto com essas aves, com resíduos ou secreções, podem levar à contaminação”, orienta o biólogo.

Pesquisa

Na mata de reserva de uma Universidade de Rio Verde os alunos do curso de biologia fazem pesquisa com pássaros. Em um ano, professores e estudantes catalogaram 120 espécies. Há até aves que raramente aparecem perto de cidades, como um casal de choca-barrada.

Segundo o biólogo Sebastião Carvalho, as aves vão para a cidade em busca de comida e abrigo, já que o habitat natural delas foi degradado. “Basicamente, 80% do Cerrado já foi destruído. Esses 20% que restam são de pequenos fragmentos, insuficientes para a sobrevivência dessas espécies”, explica.

 

(62) 3095-8700