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Atendimentos na Santa Casa são suspensos

Postado em: 15-05-2019 as 06h00
Impasse entre Secretaria de Saúde e hospital prejudica população

Eduardo Marques*

Apesar de o governo estadual anunciar um repasse de verba para a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, a unidade emitiu um comunicado oficial afirmando que os atendimentos de pronto socorro seguem suspensos. A unidade paralisou os atendimentos à meia noite de segunda-feira (13). A justificativa, segundo o hospital, é a falta de repasses do Governo de Goiás. 

A situação, porém, gerou uma contradição entre os discursos da unidade e do Estado, que alega não existir vínculo financeiro da administração pública com a instituição. Em decorrência disso a Prefeitura de Anápolis discute ações emergenciais para amenizar o impacto na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, causado pelo fechamento do pronto-atendimento na Santa Casa de Misericórdia. 

O prefeito do município, Roberto Naves (PTB), afirmou que assinou recentemente um convênio extra no valor de R$ 600 mil, dos quais R$ 200 mil já foram repassados. “O governador está sensível à causa e nos deu sua palavra que ainda nesta semana vai assinar o convênio com a Santa Casa e iniciar a revisão também dos valores retroativos. É um grande avanço e eu não tenho dúvidas de que toda esta situação será resolvida em breve”, salientou.

Sobre a suspensão de serviços à comunidade, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES) informou que não possui convênio vigente com a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, por isso não pode ser culpada pela suspensão de serviços. “A Santa Casa é uma instituição de regime jurídico privado, sem fins lucrativos, com gestão própria e conveniada ao município de Anápolis. A SES-GO trabalha para assinar, nos próximos dias, um convênio com a Santa Casa e, a partir desta assinatura, destinar verbas do Estado para o local. É importante esclarecer que, diante da ausência de vínculo contratual entre as partes, é inverídico alegar que a medida adotada pela entidade seja por falta de repasses estaduais”, rebateu a SES-GO.

A reportagem do O Hoje entrou em contato com a SES-GO para saber sobre valores e tempo de repasse da verba à unidade hospitalar, mas a Pasta não soube informar. 

Atendimentos mantidos 

Segundo a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, o atendimento a gestantes, pacientes com risco de vida e oncológicos serão mantidos. Por outro lado, o provedor e porta-voz da Santa Casa em Anápolis, padre Clayton Bergamo, afirmou em coletiva de imprensa que a instituição teve vínculo com o Estado de Goiás por 10 anos, porém, o contrato não foi renovado pela atual gestão. “Desde novembro estamos apresentando para o governo a importância da renovação desse convênio”, explicou.

Clayton também reforçou que o existe uma obrigação moral do Estado diante de uma rede que está desenhada há mais de 10 anos. Segundo ele, existe um compromisso com a estrutura que já foi criada. O padre reforça que o hospital está há quatro meses sem receber o repasse. “Hoje nós mantemos o hospital com um déficit de mais de R$ 500 mil por mês. A falta desse dinheiro prejudicou toda nossa estrutura”, lamentou o porta-voz.

Caso os acertos não sejam quitados retroativamente, alerta o padre, a instituição não terá dinheiro suficiente para manter os atendimentos, uma vez que os “atrasos resultam em um déficit de R$ 2 milhões”.

Apesar do Estado não repassar verbas, segundo o padre, os discursos são sempre positivos. “Eles dizem que estão fazendo o possível para resolver a situação e nós acreditamos nisso, tanto é que continuamos oferecendo os serviços nesse período que os recursos não foram repassados”, relata.  (*Estagiário do O Hoje)  

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