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Manoel de Oliveira: “É Delegado Waldir por naturalidade ou Rincón pelo gestor”

Manoel de Oliveira admite que a escolha do candidato tucano à Prefeitura de Goiânia passa pela mão do governador. Revela que não é pré-candidato e que Marconi Perillo é muito grato à fidelidade de Jayme Rincón.

Segurança ainda é o principal assunto do deputado estadual Manoel de Oliveira (PSDB). No Hoje de Frente com o Poder ele responde se é possível diminuir a impunidade – mote da campanha de 2014, onde foi campeão com mais de 62 mil votos. Judiciário, Polícia, drogas, vítimas da violência também são debatidos. Ao jornalista Murilo Santos conta que o candidato do PSDB em Goiânia só será decidido no ano que vem, para ver quem realmente é tucano - caso haja janela para mudança de partido. Cronista esportivo há mais de 50 anos, Mané fala também do Goiás, Atlético e Vila. Confira a íntegra da entrevista:

O mote da campanha eleitoral foi “impunidade que gera violência”. Já são mais de seis meses como deputado. É difícil pelo menos minimizar a impunidade?

Não tenha dúvida disso. Quando há impunidade, pessoas mau caráter e bandidos sabem que ao cometer crime não ficarão presas. Isso aumenta a violência. Além disso, temos o problema da falta de presídios. É preciso construir mais. Não adianta amontoar pessoas. Temos que separar de acordo com o crime cometido e fazer reciclagem. O maior desastre da violência nesse país em todos os sentidos é simplesmente a impunidade. Por exemplo, a população fica revoltada com pessoas envolvidas no petrolão e no mensalão. Hoje são presas e amanhã são soltas. Quer roubo maior na história do país do que esses ladrões do dinheiro público fizeram?

Os crimes precisam de respostas mais imediatas?

Como vamos dar mais resposta imediata? Existe carência de profissionais no Judiciário e número expressivo de processos de todos os tipos. Os profissionais do Judiciário não têm tanta culpa assim. Por mais que queiram, não dão conta. Uma solução paliativa seria criar mais mutirões do Judiciário para eliminar as pequenas causas de vez.

A culpa é de quem?

É do processo político, do próprio país e da falta de qualidade na educação do profissional do Judiciário. A culpa é também dos governantes e de nós, legisladores. Todos nós tempos culpa. Temos que incentivar para que tenha mais concursos para juízes.

E a investigação? Cerca de 130 cidades goianas não têm delegado. Mais da metade dos municípios de Goiás...

Isso, neste momento, transforma-se em uma situação complicada por causa da crise financeira no Brasil e não deixa de nos atingir em Goiás. É preciso que essas denúncias cheguem ao governador Marconi Perillo, pois ele é sensível a esse tipo de crítica, principalmente na área de segurança pública. Com isso, essas cidades, ou pelo menos em um raio de 100 quilômetros, poderão ter no mínimo um delegado. Isso deve ser levado ao governador, até mesmo por mim. Com cobrança, poderá ser resolvido. É uma emergência. A segurança pública é prioridade para o governador. Existe boa vontade, mas a criminalidade aumentou assustadoramente nos últimos anos.

E por quê?

O problema das drogas. Por exemplo, antes não tínhamos bagunça nos estádios de futebol. A pessoa que bebe cerveja pode até se envolver em uma discussão, mas não cria problemas. Quando a droga ganhou força os estádios viraram um inferno com torcidas travestidas de traficantes. Com todo respeito à Polícia, mas prendem hoje e soltam amanhã. Como a segurança pública vai conseguir conter o problema? Não é Goiás, é o Brasil. O Rio de Janeiro é uma loucura. Temos estrutura, mas é menor em relação ao número de criminosos. Por exemplo, o universo é de 500 presos, mas existe um rodízio. O indivíduo fica dois, três meses preso e depois está na rua roubando de novo. O traficando fica poucos dias e já está traficando de novo. A droga é a droga desse país.

O senhor propôs na Assembleia Legislativa o ‘Estatuto da Vítima de Violência’. O bandido tem mais proteção que a vítima?

O bandido tem Defensoria Pública e quem paga a conta é o governo. Todo mundo sabe que vivi a experiência de vítima (o caso Valério Luiz). Por que as vítimas têm que se misturar com bandido quando forem atendidas pelos delegados? Fizemos um projeto para que as vítimas tenham Defensoria Pública também. As vítimas precisam de espaço físico para serem atendidas por delegados, psicólogos e assistentes sociais no complexo de delegacias. Me disseram que não seria realizado por problema financeiro. Por isso, vou fazer emenda com a Secretaria de Segurança Pública para construir esse espaço. Aprovamos o projeto. Agora vamos colocar em prática.

É de se assustar crimes contra prefeito e primeira dama como em Matrinchã?

No passado isso era “normal”, por causa da pistolagem. Se alguém tinha uma briga política poderia ficar preparado, pois sua vida estava em risco. Há muitos anos não via isso acontecer, se for problema político. A mulher dele pode ter morrido porque estava com ele. O cidadão estava premeditado a assassinar o prefeito e matou a primeira-dama porque ela estava com ele no momento. Matou para não ter testemunhas. Se a causa for um problema pessoal é diferente...

Em pleno 2015...

Às vezes a briga pode acontecer sem saber quem é o outro. Uma das partes sai ofendida, não pensa direito e acaba em tragédia. É lamentável. O Brasil todo ficou sabendo. É algo que não deveria acontecer.

O PSDB já têm candidato à Prefeitura de Goiânia?

Ainda não. Existem possibilidades, mas tudo será definido no ano que vem. A janela em setembro deverá acontecer. Vamos ver quem realmente é tucano. Quem continua ou não no partido.

Quem tem mais condições de ser candidato?

O (deputado federal Delegado) Waldir por naturalidade. O (presidente da Agetop) Jayme Rincón, que não tem o teste da urna, mas tem o teste de gestor público. Foi peça fundamental em tudo que o Marconi fez no último mandato. Temos o Vanderlan Cardoso (PSB) que se diz candidato. Deve aparecer mais umdentro do PSDB...

Com boa votação em Goiânia o senhor ainda pensa em disputar a Prefeitura?

Fui pré-candidato uma vez em 1986, mas por um impulso de Joaquim Roriz, Iram Saraiva e dos chamados “inimigos do Nion Albernaz”. O Nion estava absoluto e o queriam tomando a benção deles. Eles me ‘usaram’. Fui pré-candidato, mas sabia que não tinha chance nenhuma. Sabia que nem Henrique Santillo me apoiava porque conhecia a posição dele.

E agora?

Não sou aventureiro. Tenho 60 anos de Goiânia. Costumo dizer que não sou candidato a prefeito porque talvez não daria conta de fazer por Goiânia o que gostaria que um prefeito fizesse. Jamais vou lançar candidatura qualquer para negociar qualquer tipo de coisa, como se faz em política.

O senhor não é pré-candidato?

A prefeito de Goiânia não. Caso o PSDB quiser fazer acordo político, por mim, tudo bem. Não vou sair do PSDB. Algo do tipo tem que passar pela mão do governador. Sou fundador do PSDB. Hoje, 80% das pessoas que estão no PSDB não estavam em 1988 quando fundamos o partido. Nove deputados foram convidados a sair do PMDB. Apenas dois saíram, eu e Mauro Neto. A pessoa que saísse do PMDB naquela época e peitasse o Iris, como peitei, encerraria a carreira política. E encerrei.

Jayme Rincón (Agetop) é o preferido do governador?

O Marconi é muito grato ao assessor que o ajuda, é fiel e mostra capacidade. Ele é muito grato ao Jayme por tudo que fez na gestão passada. Trouxe o governador mais uma vez como a maior liderança política de Goiás. Deve-se muito isso a assessoria do Marconi, mas em particular ao Jayme. As grandes obras feitas pelo governador, como autódromo, Hugo 2 e duplicação de estradas, passaram pelas mãos do Jayme. Ele possui muita capacidade administrativa...

Prefere ele ou um dos deputados?

Meu candidato é o do governador, do PSDB, da nossa base. Vou junto. Nunca fui infiel politicamente. Nunca fui traidor. Não tenho essa marca na minha vida. Uma vez saí do PMDB e fui para o PSDB porque não aguentava mais o PMDB pisar no pescoço dos nossos companheiros como Daniel Antônio, João Divino, Zé Elias, Henrique Santillo e Mané de Oliveira. Saí a pedido do Santillo e não guardo rancor de ninguém. Não me arrependi.

Qual a dificuldade do PSDB em Goiânia? A única vez que teve prefeito eleito na capital foi em 1996...

É normal que Goiânia seja tradicionalmente oposicionista ao governo.

Por quê?

A vivência do povo de Goiânia com o governador é muito próxima. Faz-se isso como protesto também. Não no caso do Marconi, pois ele fez tudo por Goiânia, mas a tradição existe. Tivemos duas eleições com Iris (2004 e 2008), que é normal, pois é um político reconhecido pelo povo de Goiânia. Tivemos o PT com Pedro Wilson (2000), que já estava na hora. Tivemos Darci Accorsi (1992), também PT, que quase ganhou do Daniel Antônio (1985). Temos agora Paulo Garcia (2012) que vem do PMDB e PT. Goiânia é isso. Se o candidato, por exemplo, for o Jayme, afinado com o governador como ele está, que sabe o que fazer, com o poder de gestão que tem, com a dinâmica que tem como gestor público, apoiado por todos da base do PSDB e em especial pelo governador Marconi Perillo, ele tem chances de ser prefeito de Goiânia.

O senhor disse que não faria, o que gostaria de fazer por Goiânia. O que seria?

Transformar Goiânia. Melhorar a cidade de tudo o que Nion fez na época dele. A época já é outra, mais avançada. Goiânia hoje é uma grande metrópole. É preciso preocupar-se com a sustentabilidade, com usuários do transporte coletivo. Tem um punhado de coisas para fazer. A administração de Goiânia não é simplesmente plantar rosa, flores, limpar a cidade. Isso é obrigação, é natural. É preciso pensar alto e grande, de 20 anos para frente.

O torcedor quer saber: o Goiás fica na elite? O Atlético continua a recuperação na série B? O Vila Nova sobe da C para B?

Pode escrever: o Goiás não será rebaixado. O Vila Nova tem todas as chances de ir para a série B. A equipe está equilibrada e faz campanha muito boa até agora. É time de massa. O Atlético, em boa hora, trouxe dois ou três jogadores que arrumaram o time, também não vai cair para a série C. O Vila será companheiro goiano para o Atlético na série B em 2016.

Em 31 de julho o senhor completou 75 anos. Qual o dia mais feliz da sua vida?

O dia que nasci. A benção que Deus me dá nesses 75 anos... Costumo dizer que deverá ser meu último mandato. Mas quero deixar uma marca de uma coisa que não abro mão na política: se viver 100 anos será como uma pessoa correta, honesto, amigo, jamais serei covarde, desonesto. Tento estar sempre alegre e abraçar o povo. Na minha vida, velha é só minha certidão de nascimento. O resto é tudo novo. Tudo com força e com a graça de Deus. Sem Ele não conseguiria chegar aos 75 anos como cheguei.

(Apoio: Karla Araujo) 

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