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Jânio Darrot: “Sou contra reeleição. O poder somente pelo poder não se justifica”

No primeiro mandato de prefeito em Trindade, Jânio Darrot admite que quatro anos são suficientes para uma gestão eficiente e leve. “Prefeito, governador e presidente precisam de liberdade para trabalhar”.

O ex-deputado estadual e empresário Jânio Darrot (PSDB) é o único prefeito tucano da região Metropolitana de Goiânia. Mas nem por isso, segundo ele, Trindade recebe mais benefícios do governo estadual. Na entrevista ao Hoje de Frente com o Poder, o prefeito responde sobre os problemas de infraestrutura (muitos buracos), investimentos, impostos, violência, mudanças no Coíndice e, especialmente, incremento do turismo religioso em Trindade. Ao jornalista Murilo Santos, Jânio Darrot afirma que os prefeitos “choram pouco”. 

Entre as principais cidades da Região Metropolitana de Goiânia, o PSDB administra apenas Trindade. A cidade é mais contemplada em função do governador ser do PSDB?

Sem dúvida ter o governador como parceiro é muito importante na nossa administração. Entretanto o governador Marconi Perillo é republicano e atende todos os prefeitos, não apenas os da Região Metropolitana, mas de todo o Estado de Goiás.

Mas o senhor é mais atendido que os outros na Região Metropolitana?

Trindade é uma cidade que tem crescido e chamado atenção principalmente pela evolução do turismo religioso. O governo de Goiás é um parceiro da nossa administração. Estamos levando muitas obras para Trindade em parceria com o governo estadual. Por exemplo, realizamos a reconstrução da GO-060, a nova rodovia dos Romeiros; a construção da GO-469 que liga Trindade a Abadia de Goiás e também o trecho que liga Trindade a Goianira. Além disso, o novo hospital de Trindade foi reformado e ampliado pelo governo do Estado. São obras importantes para o município, que foram possíveis por causa da parceria com o Estado...

E com o governo federal?

Temos também obras realizadas com o governo federal, como CMEIs, unidades de saúde e ginásios de esportes. Há também a aplicação de recurso do município em várias obras, principalmente em infraestrutura, como asfalto e recapeamento.

No ano passado e no primeiro semestre deste ano houve muita reclamação na cidade sobre infraestrutura. Especialmente de muitos buracos nas ruas. Esse é o principal gargalo?

É um dos problemas crônicos que o município de Trindade enfrenta há muitos anos. Todos os anos realizamos a operação tapa-buracos. O período chuvoso foi mais longo este ano e com isso tivemos dificuldade de manter as ruas em perfeitas condições. Mas passado o período chuvoso as ruas estavam recuperadas para a festa de Trindade. Adquirimos também equipamentos para auxiliar no recapeamento da cidade. Estamos trabalhando no recapeamento das principais ruas e avenidas, principalmente as mais danificadas. Acredito que ainda este ano vamos avançar muito e teremos menos problemas no próximo período chuvoso.

As críticas incisivas da população e da opinião pública o irritam?

Não. Tenho humildade de reconhecer que temos limitações e dificuldades muito grandes, principalmente no campo financeiro. Encontramos Trindade em uma situação muito difícil. Não se reconstrói uma cidade em um ano. O trabalho está sendo feito. Respondemos as críticas com determinação e trabalho. Também procuramos esclarecer a opinião pública. Hoje Trindade é uma cidade que tem muitas obras em andamento. A população está percebendo isso. Existem críticas porque é normal dentro de uma administração pública, mas vemos também que há muito reconhecimento.

O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira, afirmou aqui no Hoje de Frente com o Poder que os municípios têm dinheiro para Saúde e Educação, mas muitos prefeitos o usam para resolver questões políticas. João Gomes, prefeito de Anápolis, disse que os prefeitos precisam ter coragem e ousadia e não devem ser “reclamões”...

Os recursos específicos para Saúde e Educação no nosso município estão sendo aplicados em Saúde e Educação. Temos um novo hospital em funcionamento na cidade. Estamos construindo seis novas unidades de saúde. Também estamos construindo uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas. Reformamos e equipamos todas as 26 unidades de saúde de Trindade. Todas têm médicos e medicamentos. A Saúde em Trindade avançou muito porque os recursos são aplicados...

E a Educação?

Na Educação acontece da mesma forma. Estamos construindo quatro CMEIs em parceria com o governo federal. Já reformamos quase todas as 33 escolas e CMEIs da cidade. Nossos 10 mil alunos recebem uniforme completo, inclusive tênis e meias. Recebem também todo o material gratuito e merenda de qualidade. Os professores tiveram 80% de aumento salarial na nossa gestão. Recebem o piso nacional. Neste ano, mesmo com reajuste de 13%, estamos totalmente em dia com o piso nacional e com todos os fornecedores da Educação e da Saúde. É verdade que temos dificuldade na infraestrutura. É o grande gargalo, mas temos procurado apoio do governador. Temos também convênio para realizar as obras de asfalto e recapeamento.

Às vezes o prefeito é realmente ‘chorão’ ou não?

Não. Acredito que é a situação. Os prefeitos de uma maneira geral choram pouco.

Então, deveriam ‘chorar’ mais?

Diante das dificuldades que os municípios enfrentam, sim. O Pacto Federativo precisa ser revisto. Os municípios estão ficando com as obrigações e poucos recursos. Em Trindade não ficamos naquela de ficar chorando, reclamando e jogando nossas responsabilidades nas costas de gestores anteriores. Sempre enfrentamos os problemas de frente, com muito otimismo e pé no chão, sabendo da nossa difícil realidade.

No ano passado o senhor conseguiu aprovar na Câmara Municipal de Trindade o reajuste nos valores do IPTU e ITU. Pensa em aumentar a carga tributária em tempos de crise econômica?

Não. O ajuste foi realizado porque tínhamos defasagem de muitos anos. A última revisão havia sido feita nos anos 1990. Não temos que impor sacrifícios à população para resolvermos questões do momento de crise.

Para o próximo ano não tem aumento de impostos?

Não.

Apesar de ser função do Estado, o que o senhor faz para minimizar o problema da violência?

A partir do momento que assumimos a Prefeitura buscamos estabelecer parceria com as Polícias Militar e Civil. Hoje, a Prefeitura contribui mensalmente com um banco de horas nos dois comandos da Polícia Militar, no Centro e na Região Leste.

Gasta quanto?

Em torno de R$ 30 mil nos dois comandos. Por ano, o investimento é de R$ 360 mil. É um valor significativo. Na Polícia Civil, temos dado todo suporte com funcionários e estrutura de acomodação. Com isso, temos hoje bons índices na segurança pública em Trindade. Nossa taxa de homicídios caiu e é uma das menores de Goiás. Graças a esse trabalho preventivo, como também da Polícia Civil, que é de esclarecer os principais casos que acontecem em Trindade.

Os casos de violência assustam?

Com certeza. A violência do assalto relâmpago, da pessoa que aborda o cidadão quando está entrando em um carro ou em uma residência. Essas situações têm assustado os moradores de Trindade. É um problema que o Brasil inteiro está vivendo, não apenas Trindade e Goiás. Temos procurado fazer nossa parte para que tenhamos mais segurança...

Monitoramento?

Estamos fazendo estudos para equipar a cidade com câmeras, que temos feito na Romaria do Divino Pai Eterno com êxito. Nas últimas três Romarias, realizadas na nossa administração, tivemos sucesso na questão da segurança. Não houve registro de homicídios no período da festa. Tivemos pouquíssimas ocorrências durante os festejos do Pai Eterno. Estamos convictos que o trabalho está dando certo. É muito importante a Prefeitura participar também da segurança pública, mesmo sabendo que é dever do Estado.

O senhor tem muito entusiasmo com o turismo religioso na Região Metropolitana em função da Romaria. Tem projetos interessantes e ousados. Qual a dificuldade de tirar esses projetos do papel?

São os recursos. Estamos construindo em Trindade a segunda maior basílica do mundo. É uma grande obra para Goiás e para o Brasil. Teremos a maior praça suspensa do mundo e o maior sino. Acredito que a basílica estará pronta em 2020 ou 2022 e será um divisor de águas para a cidade. Precisamos preparar Trindade para isso...

Hoje não está preparada...

Não. Precisamos de eixos estruturantes ligando a basílica ao centro de Trindade. O projeto já foi feito...

O senhor pensa até em um teleférico...

Sim. Os projetos estão todos prontos. Fizemos com um escritório de arquitetura especialista em urbanismo e que realmente atende às necessidades que teremos com a basílica pronta. Essa obra vai impulsionar e muito o crescimento e desenvolvimento de Trindade.

A Secretaria da Fazenda mandou proposta à Assembleia Legislativa para que oCoíndice (Conselho dos Índices de Participação dos Municípios) reúna apenastécnicos e não tenha mais representantes de prefeitos e deputados estaduais. O senhor concorda?

Acredito que a participação dos prefeitos e da Assembleia é necessária. A divisão do bolo precisa ser aberta e a discussão deve ser democrática para que aqueles que não se sintam contemplados de maneira justa possam apresentar suas demandas e questionamentos. Não podemos retroceder. Precisamos avançar e colocar essa discussão cada vez mais aberta entre prefeitos, deputados e também com a população de uma maneira geral...

Abrir a discussão para outras instituições?

Sim.

A Associação Goiana de Municípios concorda com a Secretaria da Fazenda. A direção da AGM pode estar equivocada?

Não participei dessa discussão. Acredito na direção da AGM. Estamos muito bem representados. Penso que essa questão precisa ser melhor discutida.

O senhor é a favor ou contra a reeleição?

Sou contra.

Por quê?

A fila tem que andar. Vejo que a reeleição hoje causa danos e grandes transtornos. A partir do momento que o gestor assume uma Prefeitura, o Estado ou mesmo a presidência da República, precisa estar livre para trabalhar sem pensar em novo projeto político a curto prazo. Isso vai contribuir e muito para que as gestões possam se tornar mais eficientes e leves. Estou na Prefeitura e sinto que a reeleição não é benéfica para o município, no nosso caso Trindade.

Mas o senhor será candidato a reeleição?

A minha preocupação no momento é administrar e terminar bem meu mandato. Esse é o único foco que tenho. Tenho falado a todos companheiros de partido e da nossa base de sustentação que é preciso que se preparem para que possamos ter nomes no ano que vem. Mas só vou ter essa definição no próximo ano.

Existe a possibilidade de não disputar a reeleição?

Claro. Quero fazer um bom trabalho em Trindade. Quero levar bom trabalho a termo. Ano que vem vamos analisar se temos motivação, se ainda temos projeto, se a continuidade vai ser importante e se justifica continuar. O poder pelo poder não se justifica. Somos contra isso. Não ficaria de forma alguma só para me manter no poder.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, afirmou aqui que as pessoas buscam poder, que é mais importante que o dinheiro...

Acredito que o dinheiro não é a coisa mais importante da vida. Nunca pensei entre o poder e o dinheiro. Não me sinto poderoso. Sinto com muita responsabilidade à frente de uma gestão tão difícil, em uma cidade tão importante como Trindade.(apoio: Karla Araujo) 

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