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Jovair Arantes desabafa: “Não sou agregado do Marconi"

Desabafo do deputado mostra que rompimento com Marconi é questão de tempo. Ele enfatiza que o governador se distanciou muito de verdadeiros parceiros e rasga elogios a Iris Rezende (PMDB)

No sexto mandato seguido de deputado federal, Jovair Arantes (PTB) continua o mesmo. Com posições incisivas e procurando ser independente. Em entrevista ao Hoje de Frente com o Poder, ele criticou o governador Marconi Perillo (PSDB) e ao mesmo tempo enalteceu Iris Rezende (PMDB): “Foi meu padrinho e me lançou na política. É um grande líder, temos que respeitar”. Ao jornalista Murilo Santos ele fala também sobre Paulo Garcia, reforma política e Operação Monte Carlo (PF). Tem ainda pacto federativo, bancada da ‘bola’, Getúlio Vargas x Carlos Lacerda e um grande medo. 

Confira:

O senhor fala muito na independência do PTB. Qual o limite dessa independência?

Quando chegamos ao PTB não havia vereadores, deputados ou prefeitos no Estado pelo partido. Hoje, o PTB é um partido orgânico, com 21 prefeitos, mais de 160 vereadores e mais de 50 vice-prefeitos. O PTB tem crescido em organicidade. Hoje o partido também tem cinco deputados estaduais e um federal. É um trabalho de militância, de base. No PTB, acreditamos que depois do processo eleitoral temos que voltar ao zero e buscar o que a comunidade precisa...

Mas é sempre assim?

Sim. Outros partidos continuam com ataques. Isso negativa o processo, pois não se consegue somar esforços para trazer o que a comunidade precisa, que são as obras. Por exemplo, fui candidato à Prefeitura de Goiânia e perdi para o Paulo Garcia. Logo após a eleição, procurei o prefeito e ofereci meus trabalhos como deputado federal em Brasília e ajudei...

Todos deveriam fazer...

Sim. Dei tempo ao prefeito. Em vez de fazer críticas ácidas à administração, fomos para ajudar mesmo que essas críticas fossem merecidas. Hoje posso falar, pois já está no final do mandato e ele deixou de realizar muito. Sou daqueles que acham que partido e espectro político é para valorizar, buscar, realizar.

O PTB pode estar no ano que vem com PT ou PMDB?

Com qualquer um dos partidos políticos do espectro político estadual...

Não há restrição?

Não temos inimigos na política. Tenho adversários e é bom que os tenha...

Quem são?

Adversários políticos que criamos no trabalho. Acontece muito em cidades do interior, principalmente. Embates políticos são muito salutares e necessários. Porém, ninguém me vê fazendo ataque pessoal. Nunca fiz e não faço. O ataque é político no modelo de gestão. Por exemplo, respeito o Paulo Garcia como pai de família, cidadão honrado, mas não aceito e não acho que seja bom gestor. Ou seja, é meu adversário político. Ele errou e perdeu a oportunidade de fazer uma grande administração. Goiânia é uma cidade ‘gostosinha’ de administrar, organizada e tem muito dinheiro.

Há a impressão de que o PTB não apoiará candidato do PSDB, seja quem for, para a Prefeitura de Goiânia. É isso?

Não. Pode ser que aconteça. Se acontecer, será natural. Não temos nenhuma aliança pré-concebida e absolutamente atrelada. Não gosto da figura de partido atrelado sistematicamente e sem válvula de escape, sem poder sair. Isso não convém. Alguns dizem “você está historicamente com o Marconi Perillo”...

Não?

Não, antes do Marconi estava com Henrique Santillo, que foi nosso grande ícone e político de referência. Santillo foi um homem qualificado e diferente. O Marconi também era desse time. Quando saiu candidato e construímos a candidatura dele, nasceu do zero. Surgimos no mesmo movimento. De lá para cá apoiamos o Marconi em quatro eleições e uma de Alcides Rodrigues, também comandada por ele. Temos confluência político-eleitoral. Porém, não significa que sou um agregado do Marconi. Não fui, não sou e não serei agregado de ninguém na política. Sou agregado da sociedade e do povo que sempre me deu possibilidade de me eleger e eleger um time que faz parte do meu partido e outros partidos que estão juntos conosco, mas sem nenhuma necessidade de ser absolutamente fiel àquele princípio.

O PTB apoiaria Iris Rezende e, em caso de vitória, ficaria na Prefeitura e no Governo do Estado?

Não há dificuldade para fazermos isso. Iris Rezende Machado me lançou na política. Sou ligado e apaixonado pela forma como Henrique Santillo fazia política, mas quem me lançou na política foi Iris Rezende.

O senhor foi PMDB inclusive...

Eu era MDB. Na época só existiam MDB e Arena. O Iris foi meu padrinho de formatura em Anápolis, na turma da Faculdade de Odontologia João Prudente. Quando terminei o curso, fui trabalhar com ele. Fui coordenador de odontologia e diretor da Osego, chefe de gabinete da Secretaria de Saúde, com Ronei Edmar Ribeiro. Minha vida política foi construída com Iris Rezende. Tivemos uma diferenciação porque ele e Henrique Santillo se distanciaram. Fiz opção por ficar ao lado de Santillo naquela época e estou até agora. Não tenho problema algum com Iris Rezende. Ele é uma grande liderança e um político de respeito. Contribuiu e construiu muito em Goiás. Temos que o respeitar.

Um distanciamento entre o senhor e o governador Marconi pode estar próximo?

Pode estar perto ou longe. Tenho obrigação com Marconi Perillo. Ele é grande gestor e político que se impôs na forma de realizar e fazer. Ninguém é eleito quatro vezes impunimente. Aconteceu porque ele tem respaldo da sociedade e respeito do povo de Goiás. Porém, não significa que tenho que dedicar minha vida inteira ao seu projeto político. Poderei estar, mas não significa que tenho que estar.

Qual o principal erro do governador?

O governador se distanciou muito dos verdadeiros parceiros anteriores. Isso não é uma queixa minha, mas de vários. Foi opção dele. Ele optou por se distanciar de parceiros que sempre estiveram com ele. Não o condeno. Acredito que a opção dele é absolutamente correta do ponto de vista dele, mas da minha não é. Faltou diálogo na retomada do governo. Ele não construiu o que tem hoje sozinho e sim com todos os parceiros. O diálogo deveria se fazer presente em qualquer momento da vida política do cidadão.

O senhor ficou ressentido?

Fiquei com a forma como ele abordou os temas naquele momento. Percebi que ele tentou mostrar à sociedade uma faceta não verdadeira. Sou amigo pessoal dele, mas ele errou na política ao fazer acusações dizendo que o PTB era um partido fisiológico, que visava apenas nomeações em governo e que se quisesse governar,lançasse candidato a governador. Acho que saímos a governador sim, pois uma parcela grande da eleição dele se deve ao processo que o PTB construiu na vida...

Alguma mágoa?

Ficou naquele momento, mas isso é passado. Hoje, estamos em outro caminho. Sou daqueles que não gostam de ficar remoendo o passado. O passado é para museu e é para ficar na história para corrigirmos rumos e ditarmos o verdadeiro caminho das pessoas.

Qual avaliação da atual gestão Marconi Perillo?

É uma gestão difícil pela conjuntura internacional. A situação é difícil fora do país, no Brasil, nos estados e nos municípios. Quem está pagando preço alto por essa cadeia de dificuldade são os municípios. As Prefeituras estão absolutamente em dificuldade, algumas até para pagar a folha. Houve excessivo inchaço da folha, com muita obrigação para o município. Quando o governo resolve fazer qualquer programa recai a obrigação sobre os municípios. Essa oneração de pagamento fez com que os prefeitos fossem quase todos inviabilizados.

O senhor foi contrário à fusão PTB e Democratas. E recentemente houve ‘pedido’ de sua expulsão. Pensa em deixar o PTB?

Não penso em deixar o PTB. É o partido que gosto, ajudei a construir, assim como ajudei a fundar o PSDB em Goiás. No PTB fizemos história importante. O que aconteceu foi contrariedade de interesses. As direções nacionais do Democratas e do PTB se acharam no direito de realizar fusão de cima para baixo. Isso não convém. Não sou contra a fusão ou contra o Democratas. É um partido interessante, com lideranças expressivas como Ronaldo Caiado (senador) e Helio de Sousa (presidente da Assembleia Legislativa). Porém, não é por isso que a cúpula deve se juntar, decidir e achatar a base. A base precisa participar da discussão. Os deputados federais que lidero pediram que não aceitássemos. Por isso, assumi o que eles desejavam.

O senhor pensa assim também?

Sim. Temos que discutir com vereadores, filiados, prefeitos... A direção nacional tinha que chamar todos para discussão nacional e estabelecer prazo para que pudéssemos realizar uma grande convenção e a decisão seria tomada. É juntar Getúlio Vargas comCarlos Lacerda. Um faleceu brigando com o outro. Getúlio Vargas deu um tiro no coração em razão de brigas com Carlos Lacerda. Lacerda fundou o Democratas lá atrás. Na política atacava Vargas, que fundou o PTB. É juntar dois que não se beijavam. Vão se beijar agora? É liberal de um lado e social do outro?

As mudanças votadas até agora na reforma política respondem ao ‘grito’ das ruas?

Precisamos entender que as coisas existem e precisam ser cumpridas. A democracia brasileira é uma das mais sólidas do mundo, apesar de jovem. O que precisamos é oxigenar a política. O problema é que as pessoas não fazem o que dizem acreditar...

E acontece muito...

O PT ficou dizendo que queria a reforma, mas, na hora, votou contra. Qual reforma queriam? Nossa democracia é sólida e uma reforma ampla e profunda não é necessária. Nosso sistema democrático é de participação popular. Precisamos reformar a questão infraconstitucional, que é atacar alguns pontos, como a questão de procedimentos eleitorais. A lei está aí, mas às vezes não é cumprida. Querem culpar a democracia e a todos pelo processo de falência de fiscalização do processo. Com isso, Ministério Público faz uma coisa, a Justiça outra e a política outra.

Qual influência a Operação Monte Carlo (Polícia Federal), de 2012, provocou na política goiana?

Grande. Não mudo amigos. Não mudo meu jeito de ser porque sou político. As pessoas precisam ser o que são. No episódio do Carlinhos Cachoeira faltou as pessoas dizerem “conheço, sou amigo dele” e pronto. “Ah, mas ele tem problemas...”, dizem. Então os problemas dele precisam ser analisados pela Polícia e pela Justiça. As pessoas precisam deixar a hipocrisia de lado. Como o cidadão é político, não pode ter amizades? Claro que se souber que meu amigo é traficante vou me afastar dele. Se souber que é contraventor de alguma ordem, é preciso afastar-se dele. Mas se não sabemos, porque afastar? Se a Polícia e a Justiça não sabiam... O episódio com Carlinhos Cachoeira serviu para uma série de coisas na política goiana, principalmente para mostrar que todos conheciam e tinham amizade com ele. Porém, todos sabiam das atividades dele? A atividade dele era pública. Quem estava próximo dele queria assim. Não era meu caso, pois nunca tive amizade com ele. (apoio: Karla Araujo) 

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