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José Taveira: “32,13% é considerável, mas justo. A água é um bem precioso”

Taveira justifica que os mais de 32% de aumento na conta de água é revisão tarifária – “nunca feita pela Saneago”. E também desafia alguém que tenha conta de energia ou telefone mais barata do que de água

O presidente da Saneago, José Taveira, conta ao Hoje de Frente com o Poder que tem pelo menos três grandes sonhos na empresa: a universalização do fornecimento de água para toda a população goiana, chegar a 80% de esgoto e criar fundo para recuperar todos os mananciais. Ao jornalista Murilo Santos revela que Catalão caminha para estadualizar o serviço de água. Taveira fala também de contratos da empresa, escassez de água, geradores, João Leite, privatização... E as conversas políticas com o diretor Afrêni Gonçalves, que também é presidente do PSDB.

Haverá novo reajuste na conta de água...

Fizemos uma revisão tarifária. A lei que regula saneamento no Brasil estabelece que a cada quatro anos essa revisão seja realizada. Isso é para adequar o fluxo financeiro da empresa e sustentar os investimentos feitos nos municípios através da concessão. A ‘dona’ do serviço da Saneago é a Prefeitura da cidade, que concede a exploração da água e do sistema de esgotamento sanitário. A Saneago nunca tinha feito uma revisão. Com isso, a tarifa estava altamente defasada...

Por isso o aumento de 32%, que gerou todo aquele imbróglio quando anunciado?

Exatamente. Procuramos a Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização e passamos os dados. A AGR desenvolveu um programa específico e chegou-se ao índice de 32,13%. Esse aumento é de expressão considerável. Sensível a isso, o governador Marconi Perillo determinou que a AGR e a Saneago dividissem esse aumento em etapas. Não podíamos atravessar o exercício, pois nossa revisão seria considerada perante a lei que regula o sistema de saneamento no Brasil, como inexistente.Parcelamos por determinação do governador em 16,7% em julho, 8% em outubro e 5% em dezembro.

Os empresários chiaram bastante...

Sim, chiaram, mas não me deram oportunidade. Tenho relacionamento quase íntimo com a classe empresarial de Goiás devido ao tempo que permaneci como presidente da Agência de Fomento de Goiás e à frente da Secretaria da Fazenda. Acho que eles deveriam ter me feito uma ligação e eu, prazerosamente, iria na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) prestar esses esclarecimentos que estou prestando aqui.

Mesmo sendo revisão, o senhor acha que 32,13% é justo?

Eu acho que sim. A água é um bem muito precioso. Faço um desafio. Pegue na sua casa a conta de energia, internet, telefone fixo e celular. Todas são mais altas que a conta de água. No âmbito da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento desejamos sair em comissão para sensibilizar os governadores dos estados sobre a importância da revisão tarifária. Ficou defasada ao longo de muitos anos. Vamos ser claros e honestos, pois aconteceu também por motivações políticas. Fato semelhante ocorreu com a energia elétrica e vimos no que deu.

O senhor encontrou alguma irregularidade de gestões passadas?

Não encontrei irregularidades. Havia um desequilíbrio na Saneago. Nos primeiros meses trabalhamos fortemente na redução dos gastos para equalizar a receita com despesa. Em outubro, com os efeitos de um ambicioso plano de contenção, vamos chegar a essa equalização. Vamos continuar com a política rígida de contenção de despesas para que tenhamos recursos sobrando no fluxo de caixa para investimento, principalmente o social, como a água e o esgotamento sanitário nas pequenas cidades, que não gera rentabilidade...

E os projetos maiores?

Nas grandes cidades e projetos, como o João Leite, Sistema Produtor Mauro Borges e Corumbá 4, acessamos financiamento no mercado de fomento do Brasil e até fora do Brasil, com o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Confederação Andina de Fomento (CAF) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Essa equalização é necessária. Foi feita gradativamente, não deve ser realizada de uma vez, para evitar uma ‘quebra’ no processo financeiro...

A oposição denuncioucontratos irregulares da gestão passada. Falou-se, inclusive, em acionar o Ministério Público...

Quando a oposição se manifestou assim na Assembleia Legislativa tive o cuidado de fazer uma reunião na Saneago. Procurei a área técnica e a área jurídica para verificar a legitimidade de todos os contratos. Não fomos questionados pelo Ministério Público em momento algum. Respondemos os deputados da oposição prestando os esclarecimentos requisitados e estamos de portas aberta para prestar novos esclarecimentos, se assim for desejado.

Está tudo regular?

Sim. Administro desde os tempos da Caixego, no início da era Marconi Perillo. Sempre tive as portas escancaradas. Acho extremamente legítimo. Sou amante da transparência. Qualquer solicitação de deputados, membros do Poder Legislativo, do Ministério Público ou de órgãos de controle interno e externos serão prontamente atendidos.

Concorda que auxiliares do Executivo devem prestar esclarecimentos ao Legislativo?

A primeira coisa que fiz na Saneago foi colocar os salários dos funcionários da empresa na transparência. Nunca fechei a porta do meu gabinete. Nunca aconteceu na Caixego, no Ipasgo, no BEG ou na GoiásFomento. Até na Secretaria da Fazendatrabalhava com minha porta escancarada. Sou amante da transparência.

No início do ano o senhor afirmou que “mexer com a gestão da Saneago seria desafiante e complexo”. Continua sendo?

Vivi quase a vida toda na área financeira e cada parte foi um desafio. Tive duas funções desafiantes fora da minha área do governo, o Ipasgo e a Saneago. Graças a Deus me integrei rapidamente na problemática no setor de saneamento de maneira geral. Hoje, tenho habilidade de conviver com todos os problemas da empresa.

Qual o principal gargalo?

Tenho vários sonhos em relação aSaneago. Um deles é a universalização do sistema de fornecimento de água potável à toda população goiana até o final deste quarto governo de Marconi Perillo. Outro sonho é chegar pelo menos a 80% de esgoto no Estado. Outro, que ainda não consegui localizar recurso, é criar um fundo para recuperar todos os mananciais no Estado. Cercar esses mananciais. Seria investimento pesado. O produtor não tem condição de fazer sozinho. Sonho ver todos os mananciais recuperados, inclusive aqueles que provavelmente nunca serão utilizados. Há muitos em sistema de degradação.

Como administrara escassez de água neste período?

Temos alguns problemas pontuais no Estado. Estamos vigilantes. Tentamos, nos primeiros dias, reforçar o sistema de abastecimento em cidades como Formosa e Rio Verde, por exemplo. Ao longo desse restante de ano vamos reforçar o sistema de reserva de cidadespolo para que no próximo período de seca possamos ter situação mais favorável.

O senhor falou em compra de geradores por causa de quedas de energia...

Estamos anotando nossos pontos críticos de sistemas de geradores. Estamos estudando um grande projeto de geração de energia alternativa por meio do sistema de biodigestão na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Goiânia. Estamos dando esses passos e realizando estudos no âmbito da engenharia elétrica para que possamos minimizar o custo de energia, que é muito alto na Saneago.

Quanto?

Quando cheguei naSaneago em janeiro a conta de energia era de R$ 10,5 milhões. Hoje chegou aos R$ 20 milhões. Outra razão que nos força a fazer constantes reajustes na nossa tarifa.

E o funcionamento do sistema João Leite?

Estamos na fase final de captação de recursos no BNDES por meio de debênture de infraestrutura autorizada ao Governo de Goiás pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Também tivemos ajuda imensa do secretário Vilmar Rocha e do governador Marconi Perillo. Colocamos essa debênture no mercado e estamos aguardando a licença do BNDES. Esses recursos são suficientes para construir o “linhão”, que ligará Goiânia e Aparecida de Goiânia. A partir disso e de alguns financiamentos que estamos obtendo no BID, vamos fazer as linhas secundárias e terciárias de distribuição de água.

Tem previsão?

Em meados de 2016 estaremos com o sistema João Leite funcionando em sua plenitude. Com isso, desativaremos o sistema Meia Ponte em Goiânia e o redirecionaremos para solucionar de vez o abastecimento de água em Goianira e Trindade.

Há intenção de terceirizar postos de atendimento?

Não estamos terceirizando. Estamos desviando praticamente todo nosso atendimento, até por questão econômica, para os VaptVupts, que pertencem à estrutura do Governo de Goiás.

ASaneago deve ser privatizada?

Acho que todo serviço de energia, água e telefonia deve ser privatizado. Porém defendo, por outro lado, a tese de fazer a sedimentação econômico-financeira da Saneago para se no futuro o governo tiver convicção ou necessidade de privatiza-la, vender uma joia da coroa. Vamos conseguir realizar esse trabalho.

Por que tanta certeza?

Enfrentei grandes desafios na Caixego, no Ipasgo, no BEG e consegui vencer todos. Não tenho dúvida que ao final desse governo Marconi Perillo entregaremos à sociedade de Goiás a Saneago como uma das joias da coroa das empresas estatais de saneamento no Brasil.

Se fosse prefeito de Goiânia o senhor determinaria a municipalização do serviço de água?

Jamais. A Prefeitura não tem condições de investir de acordo com a necessidade do crescimento. Isso não apenas em Goiânia, mas em toda a região geoeconômica da capital. Esses sistemas integrados minimizam custos e maximizam os efeitos. Depois do João Leite funcionando e do sistema Meia Ponte ser desviado para Goianira e Trindade, teremos plenitude de fornecimento de água em toda região entorno de Goiânia. As prefeituras não têm condições de investimento...

Por quê?

Porque 72% da arrecadação brasileira estão concentrados na mão da União. Sofri muito com isso na Sefaz em tempos anteriores. As prefeituras não têm a mínima condição de investimento. Algumas que tem serviço municipalizado estão ‘namorando’ a Saneago em busca de entendimento para conceder o serviço...

Por exemplo...

Prefiro não te dar esse exemplo...

Catalão?

Provavelmente sim.

Então o serviço de água em Catalão deve ser concedidoàSaneago...

Não diria que sim. Estamos no início de um entendimento. Temos uma parlenda jurídica com Catalão. O município deve à Saneago, há ação judicial em tramitação e uma elevada quantia decorrente da indenização do município à empresa. Tudo pode entrar em um pacote de entendimentos e representar a estadualização do sistema de água e saneamento não apenas desse município, mas de alguns outros.

Citaria outros...

Prefiro não. Estamos em negociação e citar poderia atrapalhar.

Catalão ainda este ano?

Acredito que não. É uma negociação pesada que provavelmente se estenderá para o próximo ano.

O presidente do PSDB, Afrêni Gonçalves, é um dos diretores da Saneago. O senhor também dá conselhos políticos à ele?

O Afrêni é uma pessoa extremamente operosa. Não sou político. À medida do possível procuro dar meus palpites. Não posso perder a chance quando tem na presidência do partido que sou filiado um amigo de mais de 40 anos. Começamos juntos no BEG...

Qual conselho para escolha do candidato a prefeito de Goiânia?

Deveria fazer movimentação no partido para sair um candidato que as bases sociais apoiassem. Goiânia precisa ser repensada do ponto de vista de gestão. Quando era secretário da Fazenda tinha estreita convivência profissional com Jayme Rincón, um dos pretensos candidatos. Disse a ele que se fosse prefeito um dia asfaltasse as beiradas dos córregos. O problema do trânsito é resolvido...(apoio: Karla Araujo) 

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